Os pagamentos feitos pela União em contratos para a realização de obras e compra de equipamentos caíram 37% nos primeiros sete meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2014. O valor total desembolsado pelos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) nesse tipo de aquisição chegou a 20,8 bilhões de reais entre janeiro e julho. No ano passado, a União havia gasto 33,1 bilhões de reais com pagamento de obras, compra de máquinas e outras aquisições de bens, o que é tecnicamente chamado de investimento.
O governo é responsável por mais de 95% desse tipo de gasto. O montante do valor efetivo em 2014 era 32% superior ao que havia sido registrado no mesmo período de 2013.
Além da queda nos valores despendidos neste ano, o gasto ainda inclui uma parcela expressiva de dívidas de anos anteriores, o que é conhecido na linguagem orçamentária como restos a pagar. Na média dos últimos três anos, o governo usava 77% dos recursos que tinha entre janeiro e julho para pagar dívidas do ano anterior. Em 2015, esse percentual subiu para 88%. Ou seja, a expansão de gastos de 2014 teve impacto nas contas deste ano e sobraram apenas 12% para pagar o governo e saldar o serviço feito este ano. Isso vem provocando reclamações de vários setores sobre atraso nos pagamentos do governo federal.
Na prática, o adiamento desses valores terá consequências sobre os gastos de 2016. No ano passado, nos sete primeiros meses, o governo já havia executado, ou seja, se comprometido efetivamente a pagar por compras e obras realizadas no próprio ano, 6,6 bilhões de reais do orçamento de investimento do ano. Em 2015, esse valor chegou a apenas 3,9 bilhões de reais.
Investimento do governo em obras e compra de máquinas diminui 37%

Caso Temer seja afastado, Rodrigo Maia assumirá o Palácio do Planalto. (Foto: Reprodução)