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Irã afirma que vai intensificar as tensões no Estreito de Ormuz se a negociação de paz com os Estados Unidos falhar

O Irã afirmou que “intensificará as tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região se a diplomacia com os Estados Unidos falhar”. (Foto: Reprodução)

O Irã decidiu mudar sua política de defensiva para uma totalmente ofensiva, afirmou um alto funcionário do regime iraniano à agência de notícias Reuters nessa segunda-feira (17). De acordo com a autoridade, Teerã “intensificará as tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região se a diplomacia com os Estados Unidos falhar”, e dará um prazo para que as tropas americanas interrompam o bloqueio militar imposto aos portos iranianos.

“Pressionar-nos ou depender de mediadores para alcançar uma paz duradoura não é realista. O Irã estabeleceu um prazo de algumas semanas para a implementação completa do memorando de entendimento pelos EUA. O cronograma estabelecido pelo Irã será comunicado ao governo americano e aos países da região por meio de mediadores”, declarou.

Na sexta-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende declarar em breve o Estreito de Ormuz como território americano.

A declaração representou uma nova escalada na pressão dos EUA sobre o Irã, em meio às tentativas de chegar a um acordo definitivo para encerrar um conflito que já dura quase seis meses e para liberar completamente o tráfego na rota, uma das principais para a exportação de petróleo do mundo.

No mesmo dia, o Irã respondeu que Ormuz está sobre a autoridade do país e que ameaças dos Estados Unidos não intimidam o governo iraniano.

No dia 8, o Irã divulgou sua lista de exigências aos EUA para a reabertura do Estreito de Ormuz, entre elas uma indenização financeira, que Trump ironizou.

A importância do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma estreita rota marítima localizada entre o Irã e a Península Arábica. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, que dá acesso ao Mar Arábico e ao Oceano Índico.

Apesar do tamanho relativamente pequeno, Ormuz é considerado uma das principais artérias da indústria mundial de petróleo.

Cerca de 20% do petróleo consumido no planeta passa pela região.

Grandes produtores, como Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos, dependem da rota para transportar parte da produção para outros mercados.

Em termos territoriais, o Estreito de Ormuz é dividido entre águas sob soberania do Irã e de Omã. No entanto, o direito internacional garante a navios e aeronaves de outros países o direito de atravessar estreitos usados para navegação internacional.

Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países que ficam às margens dessas rotas não podem impedir ou suspender a passagem. O Irã assinou, mas não ratificou o acordo.

Pelo direito internacional, os EUA não podem simplesmente tomar posse do Estreito de Ormuz por meio de uma declaração. Além disso, a Carta da ONU proíbe a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial de outros países.

Durante a guerra envolvendo EUA, Irã e Israel, Teerã afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz e passou a exigir autorização da Guarda Revolucionária para a passagem de navios comerciais pela região.

O controle da rota também está no centro das negociações para um acordo de paz. O Irã exige que os EUA reconheçam a soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz, enquanto os americanos defendem a livre circulação pela passagem.

Trump também afirmou à Fox News que os EUA vão atingir o Irã com força na área econômica.

A declaração ocorreu um dia depois de o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmar que os EUA pretendem adotar contra o Irã medidas que, segundo ele, “nunca foram vistas”. As novas ações podem ser anunciadas já na próxima semana.

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