O Irã negou ter solicitado negociações com os Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump afirmou, na sexta-feira (10), que Washington e Teerã haviam concordado em continuar as conversas, apesar de uma recente escalada nas hostilidades.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que Teerã não havia buscado negociações com os EUA, mas aceitou a visita de um mediador do Catar ao Irã, segundo a televisão estatal iraniana.
O presidente Donald Trump afirmou na sexta-feira (9) que os Estados Unidos haviam concordado em conversar com o Irã depois que Teerã pediu a continuidade das negociações, mas ressaltou que o cessar-fogo de junho entre os dois países havia terminado.
“Concordamos com isso, mas os Estados Unidos deixaram claro para eles, sem rodeios, que o cessar-fogo ACABOU!”, escreveu o presidente americano na Truth Social.
Anteriormente, uma autoridade dos EUA havia dito que a estratégia do governo Trump era realizar ataques e, em seguida, pausar as operações militares, em um esforço para evitar uma escalada maior e permitir que a diplomacia prosseguisse.
Um diplomata disse que negociadores do Catar, em coordenação com os Estados Unidos, viajaram ao Irã para se reunir com autoridades locais.
Por que os EUA não conseguem dominar o Irã? Entenda as limitações
A superioridade militar dos Estados Unidos não é suficiente para subjugar o Irã.
Apesar do enorme desequilíbrio de poderio bélico entre os dois países, a escalada do conflito esbarra em barreiras políticas, morais e na percepção do eleitorado americano — fatores que, segundo análises, limitam de forma decisiva as opções de Washington.
O limite moral dos bombardeios
O analista de internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna, explicou, durante o videocast Fora da Ordem, que o próximo passo possível em termos de ataques aéreos seria a destruição das usinas de dessalinização e de eletricidade que abastecem a população iraniana.
Segundo ele, essa possibilidade chegou a ser mencionada, mas foi descartada diante de um limite moral autoimposto.
“O presidente Trump chegou a mencionar essa possibilidade e sempre recuou, dizendo que isso seria um limite”, afirmou Lourival.
Para Lourival, a guerra é, acima de tudo, um evento político. Todas as escolhas militares e suas consequências estão inseridas em uma moldura política que não pode ser ignorada.
“A decisão de ir à guerra é uma decisão política, a decisão de atingir alvos civis também”, destacou.
Ele lembrou que, ao longo da história, decisões como o bombardeio de Berlim pelos aliados na Segunda Guerra Mundial ou o uso da bomba atômica pelo próprio governo americano foram julgadas pela história sob critérios morais. Com informações do portal CNN.
