Israel rejeitou a crescente pressão internacional por um cessar-fogo e disse que suas forças cercaram a cidade de Gaza, enquanto o principal diplomata dos EUA percorria a região para conter uma crise que ameaça causar uma nova escalada no vizinho Líbano.
A Faixa de Gaza continuava sob forte ataque aéreo de Israel no domingo (5), segundo a agência de notícias palestina Wafa, enquanto a empresa de telecomunicações palestina Paltel disse que todas as comunicações e serviços de internet foram mais uma vez cortados.
O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, juntou-se aos apelos internacionais por um cessar-fogo imediato numa reunião com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, que fez uma visita não anunciada à Cisjordânia ocupada. EUA e Israel afirmam que um cessar-fogo poderia ajudar o Hamas.
Em Ramallah, Blinken também expressou a esperança de que a AP possa desempenhar um papel no futuro da Faixa de Gaza após a guerra, segundo um funcionário do Departamento de Estado. Numa declaração, Abbas indicou que a sua administração só consideraria assumir o controle da Faixa de Gaza se fosse alcançado um acordo de paz abrangente com Israel.
No domingo, um ataque aéreo israelense atingiu um campo de refugiados na Faixa de Gaza, matando pelo menos 38 pessoas, segundo a autoridade de saúde controlada pelo Hamas. As autoridades israelenses não comentaram imediatamente a explosão no campo de refugiados de Al Maghazi.
O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, descartou um cessar-fogo a menos que os reféns detidos pelo Hamas sejam libertados.
Blinken também fez uma parada não programada em Bagdad. A visita à capital iraquiana teve como pano de fundo repetidos ataques às forças militares dos EUA no Médio Oriente, por parte do que Washington chama de grupos apoiados pelo Irã.
“É muito importante enviar uma mensagem muito clara a qualquer pessoa que possa tentar tirar vantagem do conflito em Gaza para ameaçar o nosso pessoal aqui ou em qualquer outro lugar da região”, disse Blinken aos jornalistas em Bagdad. “Não faça isso.”
No domingo à noite, Blinken chegou a Ancara para tratar do conflito na Faixa de Gaza com o ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, nessa segunda-feira. O giro de Blinken reflete a preocupação de Washington de que algumas das nações árabes com as quais os EUA contam no Médio Oriente são governos frágeis que podem ser desestabilizadas se guerra de Israel contra o Hamas continuar. A resposta militar de Israel ao ataque do Hamas já provocou violência, protestos e uma onda de antissemitismo a nível internacional.
Tropas israelenses cercaram totalmente a cidade de Gaza, isolando efetivamente a parte norte do sul, disse o porta-voz do Exército de Israel, Daniel Hagari, acrescentando que alvos acima e abaixo do solo estavam sob ataque.
As tensões também aumentaram com o Líbano quando um ataque israelense no sul do país matou três crianças, disseram autoridades libanesas. Israel disse que os militares atacaram “alvos terroristas do Hezbollah” em resposta a um ataque de mísseis contra tanques que matou um cidadão israelense. O Hezbollah respondeu disparando foguetes contra a cidade de Kiryat Shmona, norte de Israel.
Sirenes soaram em todo o centro de Israel no domingo, com a mídia relatando que foguetes atingiram áreas dentro e ao redor de Tel Aviv. Nenhuma vítima foi relatada.
Milhares de palestinos do norte fugiram para o sul no domingo, depois que Israel abriu um corredor temporário para permitir-lhes escapar das hostilidades, em uma janela de quatro horas. Muitos percorreram a distância de quilômetros a pé.
Autoridades de saúde na Faixa de Gaza disseram que mais de 9.770 palestinos foram mortos na guerra, que começou quando o Hamas lançou um ataque surpresa ao sul de Israel em 7 de outubro, matando 1.400 pessoas e fazendo cerca de 240 reféns. As informações são do jornal Valor Econômico.
