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“Isso é um mal-entendido”, disse o futuro ministro da Economia sobre a renegociação de dívida

"Estamos no vermelho há muito tempo", ressaltou o presidente eleito. (Foto: EBC)

Em entrevista à Band, na segunda-feira (5), Bolsonaro disse que a dívida, de cerca de R$ 4 trilhões, era impagável não fosse a renegociação a ser conduzida por Guedes. Isso alarmou investidores sobre um possível calote do governo eleito.

O futuro ministro, no entanto, classificou o episódio de mal-entendido.

“Durante a campanha eu falei que a despesa de juros era demasiada, não é razoável o Brasil gastar R$ 100 bilhões de juros por ano. Falei tantas vezes que talvez o presidente tenha pensado em renegociar. Mas isso está fora de questão, não se pensa nisso. Isso não é o problema, isso não existe. O que existe é uma preocupação com a dívida”, afirmou Guedes.

Segundo ele, a despesa com juros virou uma bola de neve por falta de controle dos gastos do governo, que usou apenas a política monetária (juros) para conter a inflação e não acionou a âncora fiscal.

Para reverter essa espiral, Guedes pretende privatizar estatais e controlar os gastos.

“Vamos fazer como as empresas fazem. Elas vendem ativos e não deixa a dívida crescer”, afirmou e usou como exemplo a Petrobras que, após a explosão de sua dívida, anunciou um plano de venda de ativos ainda não concluído.

Guedes também defendeu a privatização da Eletrobras, como forma de viabilizar investimentos e evitar apagões em regiões onde as distribuidoras são deficitárias, como é o caso do Amazonas.

Reforma da Previdência

O futuro ministro da Fazenda também declarou que o novo governo vai sondar a atual legislatura do Congresso Nacional para ver se é possível aprovar o texto da reforma da Previdência apresentado pelo presidente Michel Temer. A proposta de emenda constitucional já passou por uma comissão especial do Legislativo, mas ainda precisa ser submetida a votações nos plenários da Câmara e do Senado.

“Vamos sondar a classe política para ver se conseguimos aprovar isso [atual versão da reforma]. Do ponto de vista econômico, é extraordinário. É um bom fecho para o governo anterior, você desentope o horizonte de dúvidas e o Brasil já entra crescendo no ano que vem”, declarou Guedes.

Em meio à entrevista, o futuro ministro aproveitou para pedir apoio do Congresso Nacional: “Por favor, classe política, nos ajude a aprovar a [reforma da] Previdência. Previdência, previdência, nos ajude a fazer isso.”

Segundo Paulo Guedes, o presidente eleito tem os votos populares, e o Congresso tem a capacidade de aprovar ou não a reforma. “A bola está com eles. Prensa neles! [parlamentares]”, declarou.

O futuro ministro, contudo, disse que, se os articuladores políticos do novo governo avaliarem que ainda não há votos suficientes para aprovar a reforma, Bolsonaro não apoiaria a votação.

“Ele [presidente eleito] não tem nada a ver com o que aconteceu até hoje. O que aconteceria? Perderíamos quase um ano. Vamos ter de abrir ano que vem falando de uma nova reforma”, ponderou Guedes.

Caso não seja possível aprovar a atual versão da reforma da Previdência, o futuro comandante da economia afirmou que o próximo governo apresentará uma proposta diferente. Guedes defendeu a implantação de um regime de capitalização, no qual o cidadão deve poupar para garantir sua própria aposentadoria. No modelo atual, de repartição, os trabalhadores atuais pagam os benefícios dos aposentados.

“Nossa proposta é diferente. Ela é mais profunda, abre espaço, inclusive, para um enorme aumento do ritmo de empregos. […] Precisamos trazer as futuras gerações brasileiras para um sistema previdenciário diferente. É um crime contra as futuras gerações continuar em um sistema de repartição”, disse o futuro ministro da Economia.

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