O Itamaraty prorrogou por mais 60 dias o afastamento do embaixador João Carlos Souza-Gomes, que atuava como chefe da delegação do Brasil junto à FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), em Roma.
Souza-Gomes foi afastado do cargo no dia 10 de novembro do ano passado depois da criação de uma comissão de processo administrativo disciplinar para apurar denúncias de assédio que diplomatas e subordinados fizeram contra ele. A investigação, que corre em sigilo, ainda não foi concluída. Ele nega as acusações.
Segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, ele tem histórico de episódios de violência moral e sexual entre seus subordinados. Uma reportagem do jornal apurou junto a 7 pessoas que trabalharam com João Carlos e todos relataram episódios de assédio sexual e moral. Segundo os depoimentos, o diplomata frequentemente saía do banheiro com as calças abertas e dizia coisas do tipo “Você viu, né? Você gostou, né?”. Outra funcionária relata ainda que Souza-Gomes exigia que ela o ajudasse a se vestir, colocando suas meias, abotoando sua camisa e calça.
O diplomata também chegou a humilhar uma de suas subordinadas. Segundo relato, Souza-Gomes teria dito “Você estava uma gostosa ontem” na frente de outros funcionários e pedido para que eles a aplaudissem. Uma das vítimas passou a tomar remédios para ansiedade e outra teve de fazer tratamento psiquiátrico para síndrome do pânico por conta do assédio. Um dos entrevistados pelo jornal admitiu que todos ficavam quietos e não denunciavam por medo de retaliação.
“João do Pulo”
Antes do cargo em Roma, Souza-Gomes já foi embaixador na Venezuela, Uruguai, serviu nos consulados de Nova York e São Francisco, nos Estados Unidos, além de ter participado de missão em Paris. O diplomata era conhecido como “João do Pulo” por conta de sua ascensão meteórica na carreira, impulsionada por contatos e relações políticas.
Além do assédio sexual, Souza-Gomes também acumula acusações de assédio moral e racismo. Ele chamaria funcionários negros de “cabelo de Bombril”, além de frequentemente chamar os subordinados de “burros” e “incompetentes”.
O embaixador foi afastado do cargo, mas permanece recebendo os vencimentos e vantagens do cargo, mais de R$ 30 mil reais, conforme prevê a lei.
Paraguai
Ainda em 2017, o presidente Michel Temer (PMDB) nomeou Américo Dyott Fontenelle como cônsul-geral do Brasil em Ciudad del Este, no Paraguai. Fontenelle foi suspenso das atividades de embaixador em 2014 por suspeita de assédio moral, sexual, homofobia e desrespeito no exercício da função de cônsul-geral do Brasil em Sydney (Austrália).
Fontenelle tem um histórico de acusações. Em 2007, também foi investigado por assédio moral quando atuava no Canadá. O processo, no entanto, foi arquivado e o Itamaraty não puniu o funcionário.
Em 2013, funcionários que trabalharam com Fontenelle relataram o drama vivido. “Quando você é tão eficiente me dá vontade de te dar um beijo”, teria dito o cônsul a Claudia Pereira. Para outra colega, Viviane Jones, ele teria comentado que ficava imaginando o que estava debaixo da blusa dela e que ele caminhava se esfregando nas funcionárias.
Já Alberto Amarilho, funcionário de carreira do Itamaraty, relatou que Fontenelle atacava minorias com expressões como “velha escrota”, “negão”, “chinês filha da puta”.
