O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil após a derrota na eleição presidencial do último domingo, com ajuda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo o jornal The New York Times. De acordo com a publicação, o jato utilizado pelo senador e sua família foi providenciado por um funcionário da Casa Branca. Flávio voou na noite de terça-feira da Argentina para o Equador, onde a aeronave foi reabastecida, e, em seguida, seguiu para Miami. A utilização do avião particular foi organizada por Jason Miller, funcionário da área de comunicação da Casa Branca, informou o jornal americano.
O plano de saída do país foi colocado em prática na segunda-feira, depois que Flávio Bolsonaro foi informado de que deveria entregar seus passaportes. A medida cautelar havia sido determinada na véspera pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o New York Times, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller assim que o irmão foi intimado a entregar os documentos.
Uma fonte do governo americano disse ao jornal que Flávio Bolsonaro é aguardado nos Estados Unidos para solicitar residência permanente no país, conhecida como green card. O procedimento normalmente ocorre após a obtenção de um visto de imigrante. Segundo o mesmo funcionário, o pedido do senador seria processado rapidamente, de forma semelhante ao concedido a Eduardo Bolsonaro.
Nesta quinta-feira, Trump afirmou que as eleições presidenciais no Brasil foram uma “vergonha”.
“Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu”, declarou Trump a jornalistas antes de partir para um comício eleitoral.
Ao ser perguntado se procuraria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para parabenizá-lo, Trump respondeu que sim, embora tenha qualificado o processo eleitoral como “uma vergonha”. O presidente americano acrescentou que não tomou partido na eleição a pedido de Lula.
PF apura ajuda
A Polícia Federal investiga a rota utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar o Brasil após a derrota na eleição presidencial do último domingo. Os investigadores apuram como ele saiu de Brasília e chegou a Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com a Argentina, além de investigar se houve ajuda de empresários e aliados políticos.
O trajeto de Flávio após chegar ao país vizinho já é conhecido, mas ainda há lacunas sobre o percurso entre a capital federal e a fronteira. Uma das possibilidades é que ele tenha feito o deslocamento por via terrestre, o que levaria cerca de 20 horas.
Na noite de segunda-feira, por volta das 19h50min, o comboio utilizado pelo senador em seus deslocamentos por Brasília deixou o condomínio onde ele mora. Não há, porém, informações sobre quem estava nos veículos naquele momento.
