Jennifer Garner parecia saber que deveria ser ela a atriz a interpretar Hannah Hall, a protagonista da série A Última Coisa que Ele Me falou, da Apple TV+. Quando leu o livro homônimo da escritora americana Laura Dave, sentiu-se imediatamente conectada com a personagem.
Quando descobriu que a atriz que originalmente interpretaria Hannah no seriado (ninguém menos que Julia Roberts) havia deixado o projeto, logo buscou a oportunidade. Escreveu uma carta aos produtores e à autora explicando exatamente por que deveria ser ela a viver a protagonista. “Ainda não consigo acreditar que deu certo”, diz ela em entrevista ao Estadão.
A produção foi lançada em 2023 como uma minissérie, mas não demorou muito para que todos os envolvidos decidissem que a história não estava completa. Jennifer, eternizada por papéis em De Repente 30 e Elektra, retorna para uma segunda temporada – que estreia nesta sexta, 20 de fevereiro, no streaming – da mesma forma que sua personagem: mais madura, confiante e assertiva.
“Na nova temporada, Hannah está mais velha. Ela se preparou para tudo o que possa acontecer. Ela é colocada em uma situação em que precisa usar tudo o que planejou. E ela precisa usar cada pedacinho de sua capacidade física, suas habilidades, sua mente e sua astúcia para manter a si mesma e Bailey [Angourie Rice] em segurança”, explica a atriz.
Para refrescar a memória: na primeira temporada, Hannah é uma ceramista que recentemente se mudou para a cidade costeira de Sausalito para viver com o novo marido, Owen (Nikolaj Coster-Waldau), e com a enteada adolescente, Bailey. Mas quando Owen desaparece subitamente, deixando apenas uma mala de dinheiro e um bilhete pedindo que Hannah proteja a menina, ela é levada a uma teia de mistérios envolvendo gangues e grandes corporações.
A segunda temporada, cujos capítulos serão lançados semanalmente às sextas, se passa cinco anos depois da primeira. A história também é contada na sequência do livro, The First Time I Saw Him (a editora Intrínseca, que publicou o primeiro volume, confirmou que publicará a sequência no Brasil, mas ainda sem previsão exata). Desta vez, o processo foi diferente: Laura ainda estava finalizando o livro quando as gravações começaram, o que significa que a criação da trama foi realizada em conjunto.
A escritora, que também é produtora executiva da série, diz ao Estadão que não se preocupou com a mudança. “Eu não senti medo porque, naquela altura, já trabalhávamos juntos há anos e nos conhecíamos muito bem. Eu sabia que tinha pessoas que iriam realmente apoiar o que eu estava tentando fazer no segundo capítulo de Hannah, mesmo que a forma como eles chegassem lá fosse diferente”, diz ela.
O mote da nova leva de episódios é o retorno inesperado de Owen. O reaparecimento faz com que a família precise confrontar os segredos do passado e embarcar em um nova corrida contra os Campanos, que ainda querem Owen morto. Como na primeira temporada, a ação e o mistério se unem ao drama familiar.
Novas dinâmicas e personagens
Se Hannah e Bailey precisaram percorrer um longo caminho para se considerarem mãe e filha na primeira temporada, agora o vínculo entre elas está fortalecido e é Owen quem terá dificuldades de encontrar seu lugar na família. “Como é que eles vão conseguir superar a ferida causada pela partida dele e os segredos que ele guardava?”, argumenta o roteirista e produtor Josh Singer, que é casado com Laura Dave.
“Acho que a Bailey trabalhou arduamente durante esses cinco anos com a Hannah para conseguir estabilidade na sua vida. Ver tudo isso ameaçado novamente no início da segunda temporada é realmente difícil para ela”, diz a atriz Angourie Rice sobre as novas dinâmicas.
Para ela, o salto temporal foi benéfico por aproximar sua personagem de sua idade na vida real, de 25 anos. “Bailey está aprendendo a ver os seus pais e todos os adultos à sua volta como pessoas que também tomam más decisões e têm defeitos”, diz Angourie. “Ela está pedindo aos adultos que apenas estejam com ela nessa confusão, mas eles ainda querem protegê-la. Acho que esse vai e volta entre pais e filhos é eterno.”
Para Nikolaj Coster Waldau, que por anos fez sucesso como Jaime Lannister em Game of Thrones, o retorno de Owen significou a chance de realmente viver esse personagem quando ele precisa lidar com as consequências das próprias ações: “Ele tinha as melhores intenções, mas realmente estragou tudo. Toda essa história dele acreditar que pode voltar cinco anos depois e ter um plano para resolver o problema… adorei o fato de Hannah simplesmente ter falado: ‘Olha, não é assim que as coisas funcionam’.”
