Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva querem que o governo encontre outro carimbo para o projeto de lei sobre o fim da escala de trabalho 6×1. A pressão para “traduzir” esse mote chegou até o gabinete do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, no Palácio do Planalto. O argumento levado a Sidônio foi o de que “ninguém entende” o que é 6×1, como foi batizada a proposta. A expressão se refere à jornada de seis dias de trabalho com apenas um de descanso.
Um interlocutor do presidente disse na semana passada a Sidônio que, em vez de falar em 6×1, o governo deveria “vender esperança” e destacar que o projeto permite aos trabalhadores o descanso remunerado de dois dias na semana. A proposta é bandeira da campanha de Lula à reeleição.
Embora Lula tenha enviado o projeto em regime de urgência, o presidente da Câmara, Hugo Motta, avisou que sua prioridade é a tramitação da PEC sobre o mesmo assunto. Ainda hoje está marcada uma sessão da CCJ para votar o relatório do deputado Paulo Azi (União Brasil) pela admissibilidade da proposta.
No Congresso, o nome do projeto é o que menos importa. Neste ano eleitoral, tanto Lula quanto parlamentares reivindicam sua paternidade, enquanto a maior parte dos empresários é contra. A CNI entregou a deputados e senadores um documento argumentando que a medida, se aprovada, terá impacto na inflação e nos empregos formais.
Mensagens do governo nas redes sociais já falam em “dois dias livres”. Mas Sidônio avisou que haverá novas peças explicando, de maneira didática, o que representa o fim da 6×1.
Entenda
A escala de trabalho 6×1 é um modelo de jornada em que o empregado trabalha durante seis dias consecutivos e tem direito a um dia de folga. Esse formato é bastante comum em setores que demandam funcionamento contínuo ou atendimento ao público ao longo de toda a semana, como comércio, supermercados, restaurantes, hotéis, hospitais, indústria e serviços em geral.
Na prática, a folga pode ocorrer em qualquer dia da semana, conforme a organização definida pela empresa e as regras previstas em contrato, convenção coletiva ou acordo trabalhista. Isso significa que nem sempre o descanso acontece aos domingos, embora a legislação brasileira preveja critérios para descanso semanal remunerado e regras específicas para determinadas categorias profissionais.
A escala 6×1 costuma ser adotada por empresas que precisam manter equipes em operação constante, distribuindo os funcionários em turnos para garantir o funcionamento diário. Em muitos casos, esse sistema permite revezamento entre trabalhadores e continuidade das atividades sem interrupção.
Entre os defensores do modelo, o principal argumento é a viabilidade operacional, especialmente em segmentos que dependem de atendimento permanente. Já críticos apontam que a rotina de seis dias seguidos de trabalho pode gerar desgaste físico e mental, reduzir o tempo disponível para convivência familiar e dificultar a conciliação entre vida pessoal e profissional.
O debate sobre a escala 6×1 ganhou espaço nos últimos anos em discussões sobre saúde ocupacional, produtividade e qualidade de vida. Movimentos sindicais e especialistas em relações de trabalho defendem, em alguns casos, jornadas com mais dias de descanso, como escalas 5×2, enquanto representantes empresariais argumentam que mudanças amplas dependem de custos, contratação de pessoal e características de cada setor.
No Brasil, a jornada de trabalho deve respeitar limites previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de acordos coletivos e normas específicas. Assim, a escala 6×1 pode variar conforme carga horária diária, banco de horas, turnos e categoria profissional. Em resumo, trata-se de um sistema amplamente utilizado no mercado, mas que permanece no centro de discussões sobre modernização das relações trabalhistas e equilíbrio entre trabalho e descanso. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)
