José Dirceu, ex-ministro do governo Lula, foi indiciado pela terceira vez em decorrências das investigações da Operação Lava-Jato. A Polícia Federal (PF) afirma que há indício de que o ex-ministro tenha cometido os crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O inquérito foi concluído em 22 de junho.
Os investigadores da PF suspeitam que o ex-ministro tenha recebido dinheiro ilegal da empresa Hope, que mantinha contrato com a Petrobras. Em troca de e-mails e mensagens de celulares entre executivos, funcionários da empresa e operadores, Dirceu é tratado como “o VIP”.
As supostas irregularidades entre os investigados e a empresa se tornaram públicas durante a 17ª fase da Operação Lava-Jato, intitulada “Pixuleco”. O ex-ministro já foi condenado a 20 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa por envolvimento em irregularidades descobertas na Petrobras.
Ele está preso no Complexo Médico-Penal, na Região Metropolitana de Curitiba.
Outras sete pessoas também foram indiciadas, entre elas Roberto Marques, ex-assessor de Dirceu conhecido como Bob.
Veja a lista dos indiciados
– Milton Pascowitch – operador ligado a Dirceu
– José Adolfo Pascowitch – operador, irmão de Milton Pascowitch
– Rogério Penha da Silva – executivo ligado à Hope
– Raul Andres Ortuzar Ramirez – executivo ligado à Hope
– Wilson da Costa Ritto Filho – ligado à Hope
– Arthur Edmundo Alves da Costa – dono da Personal Service
– José Dirceu de Oliveira e Silva – ex-ministro do governo Lula
– Roberto Marques (Bob) – ex-assessor de
José Dirceu
Todos foram indiciados por formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Apenas Roberto Marques não foi indiciado pelo crime de lavagem de dinheiro.
As suspeitas
Pelo relatório, a empresa Hope – que mantinha contrato de tercerização de mão-de-obra com a Petrobras – custeava despesas pessoais de Dirceu. A defesa de José Dirceu, representada pelo advogado Roberto Podval, disse nesta quinta-feira (7), que não vai se manifestar antes de analisar o conteúdo do indiciamento.
Os agentes afirmam que foram pagas hospedagens em suítes de luxo de um hotel, carro e motorista, inclusive, para a namorada do ex-ministro.
Cada diária custava R$ 1.900,00, em 2011, segundo a Polícia Federal.
“O nível de intimidade do VIP com seus mantenedores era tamanho que a funcionária Simone (assistente da Diretoria) da Hope destaca que a empresa assumiria qualquer gasto extra, além de solicitar que atentem para as preferências do VIP inclusive pelo mesmo quarto”, diz trecho do relatório.
A Polícia Federal menciona também envolvimento da empresa Personal no pagamento de vantagens ilícitas, a partir de contratos obtidos na Petrobras.
Segundo a Polícia Federal, Milton Pascowitch, na condição de colaborador da Lava-Jato, declarou que, dos valores pagos mensalmente pela Hope e Personal, R$ 180.000,00 eram pagos a Fernando Moura. A força-tarefa da operação caracteriza Moura como lobista ligado ao ex-ministro.
Ele também tem acordo de delação premiada e, conforme o relatório da PF, confirmou os pagamentos indevidos.
A Hope já havia informado que estava colaborando com as investigações. A reportagem tenta um novo contato com a empresa e também com a Personal. (Bibiana Dionísio e José Vianna/AG)
