Pesquisa inédita apresentada pela Invest RS revela que orgulho, acolhimento e pertencimento definem a relação da nova geração com o Estado
Uma nova pesquisa sobre os anseios da juventude gaúcha traz um sinal relevante para o futuro do Rio Grande do Sul: os jovens querem construir suas vidas no Estado, mas esperam encontrar condições concretas para transformar esse desejo em realidade. O estudo inédito “O Sonho do Jovem Gaúcho”, apresentado pela Invest RS em parceria com o governo do Estado durante o evento Juventude do Amanhã, organizado pelo South Summit Brazil, mostra que orgulho, acolhimento e pertencimento são os sentimentos que mais conectam a nova geração ao território gaúcho.
O levantamento foi conduzido pela consultoria ACE Post-Consultancy and Insights e ouviu mil jovens entre 18 e 32 anos, além de realizar 54 entrevistas qualitativas e uma ampla análise sócio-histórica. Entre os resultados, chama atenção o fato de que 45,4% dos entrevistados manifestam o desejo de construir sua trajetória pessoal e profissional no Rio Grande do Sul.
Para o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, os dados representam uma ferramenta estratégica para orientar políticas de desenvolvimento e atração de investimentos. “Entender os anseios desta geração nos dá subsídios para desenhar políticas de atração de investimentos e inovação que conversem diretamente com o que o jovem procura, garantindo que o talento local encontre espaço para prosperar aqui dentro”, afirmou.
O estudo também revela uma transformação importante na forma como os jovens definem sucesso. Segundo Marcella Britto Franco, pesquisadora da ACE Post-Consultancy and Insights, a geração atual apresenta uma visão mais pragmática diante dos desafios econômicos e sociais. “O jovem quer ficar e prosperar no Estado, mas ainda carece de clareza sobre os caminhos para que isso aconteça. Existe uma clara mudança estrutural no que significa ‘dar certo’ para essa geração: o sucesso hoje é medido por qualidade de vida, equilíbrio e liberdade, pensando muito mais do que a busca tradicional por patrimônio ou estabilidade formal”, explicou.
Além das perspectivas profissionais, a pesquisa lançou luz sobre questões emocionais que impactam diretamente a juventude. O levantamento aponta que 58,6% dos entrevistados convivem com o receio de estarem ficando para trás em relação aos seus pares, reflexo de uma geração inserida em ambientes altamente conectados e pressionada por comparações constantes.
Outro aspecto analisado foi o impacto das enchentes de 2024 na percepção de futuro dos jovens. Embora a tragédia não tenha provocado uma rejeição ao Estado, os efeitos deixaram marcas profundas na forma como essa geração avalia temas como infraestrutura, segurança e planejamento. A pesquisa sugere que o episódio reforçou a expectativa por respostas mais efetivas do poder público e das instituições.
Para a pesquisadora Luciane Paim, os jovens buscam mais do que oportunidades econômicas. “O que eles demandam agora vai muito além de emprego e renda; há uma urgência por ‘voz’. Eles pedem uma nova agenda que integre educação conectada ao contemporâneo, segurança, acesso à cultura e participação ativa nas decisões políticas do Rio Grande do Sul”, destacou.
A mobilidade também aparece como parte do projeto de vida dessa geração. Segundo o secretário de Comunicação do Estado, Caio Tomazeli, o desejo de viver experiências fora do Rio Grande do Sul não deve ser interpretado como falta de vínculo com o Estado. “É esperada essa ambição dos jovens de sair, viajar, conhecer o mundo. E o Estado quer poder participar desse sonho, mas também quer contar com eles para no futuro regressarem ao Rio Grande do Sul para ajudar a potencializar o desenvolvimento do Estado”, afirmou.
Os resultados da pesquisa servirão ainda de base para um novo movimento liderado pela Invest RS em parceria com o Instituto Caldeira, South Summit Brazil, Tecnopuc, Fiergs, Farsul, Fecomércio e Sebrae. A iniciativa pretende ampliar oportunidades para os jovens e fortalecer a percepção do Rio Grande do Sul como um ambiente capaz de estimular talentos, inovação e protagonismo.
O estudo oferece uma fotografia de uma geração que mantém forte identificação com suas raízes, mas que exige perspectivas concretas de crescimento. O recado dos jovens gaúchos é claro: existe disposição para permanecer, empreender e construir o futuro no Estado, desde que haja oportunidades compatíveis com seus sonhos, valores e expectativas.(Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
