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Juiz da Lava-Jato dá “nova oportunidade” para Odebrecht explicar ligações de diretor para doleiro

MPF quer que Sérgio Moro decrete novas prisões preventivas dos executivos da empreiteira. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, decidiu na terça-feira conceder “nova oportunidade” à Odebrecht e aos seus executivos para que esclareçam as 135 ligações telefônicas entre o executivo da empreiteira Rogério Santos de Araújo e o doleiro suíço Bernardo Sheiller Freiburghaus. A Odebrecht tem até a próxima segunda-feira para esclarecer os motivos das ligações. Caso o juiz não fique satisfeito com as respostas, ele deve atender o pedido do MPF (Ministério Público Federal), que deseja que o juiz decrete novas prisões preventivas dos executivos da empreiteira, inclusive de Marcelo Odebrecht, presidente da companhia, além de Márcio Faria da Silva, Alexandrino de Alencar, Rogério Santos de Araújo e Cesar Rocha.

Tudo isso porque o MPF apresentou provas ao juiz mostrando que foram feitas 28 ligações de Santos Araújo, diretor da Odebrecht, para Freiburghaus, no período de março de 2011 a dezembro de 2012, com base na quebra do sigilo telefônico decretado judicialmente. As ligações eram precedidas de depósitos nas contas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, na Suíça. Os depósitos aconteciam oito dias depois das ligações do diretor da Odebrecht ao doleiro suíço, que está foragido na Suíça. Ocorreram também depósitos nas contas do ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, e nas contas do ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque.

As contas de Costa que receberam dinheiro da Odebrecht, segundo depoimento do próprio ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, eram as contas identificadas na Suíça como Sygnus e Quinnus. Essas contas receberam pelo menos 23 milhões de dólares, sempre tendo Freiburghaus como procurador na Suíça. Já as contas de Barusco que receberam dinheiro no mesmo esquema foram identificadas como Canyon e Ibiko, que também tinham Freiburghaus como procurador.

“Segundo análise realizada pelo MPF, teria sido observada certa correlação entre as datas da ligações e as datas dos depósitos efetuados nas contas de Paulo Roberto Costa”, disse o juiz em seu despacho. O juiz afirma, ainda, que se a Odebrecht preferir, terá “resguardado o direito ao silêncio”.

Um dos exemplos citados pelo MPF dessa correlação acontece em 2011. Rogério Santos de Araújo telefona para Bernardo Freiburghaus no dia 17 de maio e entre os dias 18 e 23 de maio são depositados na Suíça um total de 2 milhões de dólares nas contas de Paulo Roberto Costa.

O MPF diz que o depoimento em delação premiada de Costa reforça o pedido de novas prisões preventivas contra os diretores da Odebrecht. No depoimento, o ex-diretor da estatal brasileira diz que abriu as contas na Suíça por orientação do diretor da Odebrecht Rogério Araújo e que foi ele quem lhe indicou Freiburghaus.
No depoimento, Costa revela os bancos em que abriu as contas (Royal Bank of Canadá/Roycan Trust Company S.A, Banque Cramer & Cia S.A, Banque Pictet & Cia S.A e PKB Privatbank S.A) e confirma os nomes das offshores em seu nome nas quais eram feitos os depósitos: Sygnus Assets S.A, que em setembro de 2012 tinha um saldo de 10,5 milhões de dólares, na Quinus Services S.A, com saldo de 9,5 milhões de dólares, e a Sagor Holding S.A, com saldo de 5,6 milhões de dólares. Todas as contas foram abertas por Freiburghaus e receberam dinheiro da Odebrecht, segundo Costa em depoimento feito no dia 4 de setembro do ano passado.

Nesse mesmo depoimento, ele revela que em 2010 e 2011 começou a passar informações privilegiadas para Konstantinus Kotronakis, consul da Grécia no Rio de Janeiro, sobre os navios de grande porte que a Petrobras deveria contratar para o transporte de petróleo e derivados. Konstantinus desejava que a maioria dos navios contratados pela Petrobras fossem gregos e Costa passava informações sobre as licitações para o consul grego. Pelas informações, Konstantinus passou a fazer depósitos em seu favor no banco UBS de Luxemburgo, que estava em nome de seu genro Humberto. Já Konstantinus criou a empresa GB Martime, em nome de seu filho Georgio Konstantinus, para receber comissões dos armadores gregos.

Uma das ligações de Rogério Araújo para Freiburghaus no dia 14 de agosto de 2012 precede um dos depósitos de 19 mil dólares em nome da GB Maritime na conta de Paulo Roberto Costa em Luxemburgo.

Resposta

Em comunicado, a “Construtora Norberto Odebrecht desconhece completamente os fatos e o teor dos supostos telefonemas apontados e mais uma vez questiona o vazamento seletivo de informações, vício que compromete o exercício do direito de defesa. A Odebrecht responderá ao despacho no momento oportuno”. (AG)

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