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Juiz da Lava-Jato diz que doações ao PT pareciam “parcelamento de dívida”

Sentença de Moro resultou da 10ª fase da Lava-Jato, batizada de “Que país é esse”. (Foto: Dida Sampaio/AE)

O juiz federal Sérgio Moro, que julga os processos da Operação Lava-Jato em primeira instância, escreveu na sentença que condenou, na segunda-feira, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que valores repassados a título de doações eleitorais ao PT investigados nesse processo “aparentam ser alguma espécie de parcelamento de uma dívida”.
Conforme a denúncia, a pedido de Duque, foram feitas 24 doações ao PT entre outubro de 2008 e abril de 2010, totalizando 4,26 milhões de reais. Esses valores teriam sido recolhidos pelo ex-tesoureiro.
“Analisando as doações, chama a atenção que, para alguns períodos, elas aparentam ser alguma espécie de parcelamento de uma dívida, como as doações mensais de 60 mil reais, entre junho de 2009 a janeiro de 2010 ou entre abril de 2010 a julho de 2010, do que propriamente a realização de doações eleitorais espontâneas”, escreveu Moro na sentença, referindo-se a doações feitas por empresas controladas por Augusto Mendonça, ex-executivo da Toyo Setal, que confirmou a propina em delação.
Para o juiz, o caso envolveu “especial sofisticação, com a utilização de recursos criminosos para a realização de doações eleitorais registradas, conferindo a eles uma aparência de lícito de uma maneira bastante inusitada e pelo menos, da parte deste Juízo, até então desconhecida nos precedentes brasileiros sobre o tema”.
A sentença resultou da 10ª fase da Lava-Jato, batizada de “Que país é esse” em referência à frase de Duque no momento em que foi preso pela primeira vez, em novembro de 2014. (AG)

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