Um juiz americano acusado de reduzir a pena de jovens em troca de favores sexuais pediu demissão depois de uma investigação encontrar, no computador dele, milhares de fotos eróticas de homens julgados por seu tribunal.
De acordo com a comissão que investiga o juiz Joseph Boeckmann, do Estado do Arkansas, nos EUA, as cerca de 4,5 mil imagens mostram jovens, vários deles nus, em poses pornográficas na casa do magistrado. Algumas fotos mostram os jovens inclinados, aparentemente depois de uma sessão de golpes de palmatória, que pode ser vista nas imagens.
Nos documentos anexados à investigação, a comissão detalha as alegações de diversos réus, inclusive de um menor de idade. Conforme o processo, o juiz entregava seu telefone escrito a mão no próprio tribunal aos réus e os obrigava a desempenhar o que ele chamava de “serviços comunitários” em sua casa.
Um homem disse que manteve uma relação sexual com o magistrado enquanto pagava por multas, para as quais Boeckmann dava mais prazo. Em outro caso, o juiz teria minimizado uma pequena violação de trânsito e pedido ao autor da irregularidade para ir a sua residência com uma sacola de latas. Lá, o magistrado teria mandado o infrator “pegar duas latas da sacola e se inclinar”, orientando-o sobre como “abrir suas pernas”, segundo o documento.
Alegações adicionais dizem que o juiz havia pago os rapazes enquanto eles estavam na lista de sentenças dele. O juiz teria oferecido também para pagar, em troca de sexo, as despesas dos advogados dos jovens acusados.
Uma outra vítima alegou que Boeckmann o fez ficar sem roupa e usar algemas no tribunal enquanto tirava fotos dele. Quando terminou de tirar as fotos, segundo ele, o juiz lhe disse: “Caso encerrado.”
Demissão.
Os documentos apresentados revelam que os investigadores acreditam que os atos suspeitos do juiz abrangem um período de aproximadamente 30 anos, desde quando ele era vice-promotor-público e advogado particular em Arkansas. Ele tinha preferência por rapazes brancos.
Em sua carta de resignação, o juiz, que chegou a negar as acusações em certo ponto da investigação, agora afirma que nunca mais vai “procurar emprego como funcionário ou servidor público no Estado do Arkansas”.
A promessa de não trabalhar novamente para o governo de Arkansas foi suficiente para livrá-lo de penas mais pesadas. Sua demissão foi seu castigo. Com sua saída, a investigação foi totalmente encerrada.
