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A Justiça paulista condenou mais sete advogados que trabalhavam para o Primeiro Comando da Capital

A Justiça só decidiu a favor da mãe após a OMS decretar estado de pandemia devido ao coronavírus. (Foto: Reprodução)

Sete advogados acusados de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital) foram condenados com penas de 5 a 11 anos de reclusão por integrar uma rede que atuava em favor da organização criminosa. Eles prestavam assistência a familiares e a detentos. Todas as penas são em regime inicial fechado.

A condenação é do juiz Gabriel Medeiros, da 1ª Vara de Presidente Venceslau. No último dia 21, outros sete advogados já haviam sido condenados por Medeiros com penas que variavam de oito a 17 anos de prisão. Entre os condenados, estavam quatro homens e três mulheres. Há um mês, o mesmo juiz também condenou seis advogadas por envolvimento com a organização criminosa.

Na decisão, publicada neste sábado (2), o magistrado argumenta que ficou caracterizado o envolvimento dos réus com a facção. Cabe recurso da decisão.

“O que se tem no caso em julgamento, longe está de ser uma relação entre cliente e advogado, e sim uma relação entre advogados e organização criminosa, ficando aqueles à disposição desta. Se é verdade que não precisa o profissional liberal, dentre eles advogados, saber da origem do dinheiro que lhe remunera, por outro lado mostra-se notório que não possui a facção origem lícita de recursos e não se mostra crível aceitar a tese de que os réus, no presente caso, não sabiam desta fonte promíscua de recursos financeiros da organização por eles integrada”, escreveu.

PCC

A facção criminosa PCC, a maior e mais organizada do País, foi criada por oito presos, em 31 de agosto de 1993, no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté (130 km de São Paulo), o Piranhão, tida naquela época como a prisão mais segura do Estado.

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, é o chefe do PCC. Ele está preso por roubo a bancos no presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau.

Assumiu a liderança do PCC no final de 2002, pregando ações mais moderadas. Destituiu os líderes da ala radical da facção Cesinha e Geleião, que usavam atentados para intimidar as autoridades do sistema prisional.

Origem

Durante uma partida de futebol na quadra do Piranhão, os oito presos – transferidos da capital do Estado para lá como castigo por mau comportamento – resolveram batizar o time deles como Comando da Capital.

Para defender a camisa do PCC e começar a organizar a facção, também chamada logo no início de Partido do Crime e de 15.3.3, por causa da ordem das letras “P” e “C” no alfabeto, estavam escalados Misael Aparecido da Silva, o Misa, Wander Eduardo Ferreira, o Eduardo Cara Gorda, Antonio Carlos Roberto da Paixão, o Paixão, Isaías Moreira do Nascimento, o Isaías Esquisito, Ademar dos Santos, o Dafé, Antônio Carlos dos Santos, o Bicho Feio, César Augusto Roris da Silva, o Cesinha, e José Márcio Felício, o Geleião.

Ainda no início da facção, o time de criminosos dizia que ela havia sido criada para “combater a opressão dentro do sistema prisional paulista” e também “para vingar a morte dos 111 presos”, em 2 de outubro de 1992, no episódio que ficou conhecido como “massacre do Carandiru”, quando homens da PM mataram presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo.

Enquanto o time da capital estava em quadra, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra, que, anos mais tarde, viriam a se tornar os líderes mais “conceituados” junto à massa carcerária de São Paulo, estavam em uma cela separada, confinados.

Nessa mesma época, o símbolo chinês do yin-yang, pintado de branco-e-preto, foi adotado como o escudo da facção. “Uma maneira de equilibrar o bem e o mal com sabedoria”, explicavam os fundadores do PCC.

Em fevereiro de 2001, Sombra tornou-se o líder mais expressivo da organização ao coordenar, por telefone celular, rebeliões simultâneas em 29 presídios paulistas. A megarrebelião deixou um saldo de 16 presos mortos.

Cinco meses depois, no entanto, Sombra, chamado de “pai” pelos outros criminosos, foi assassinado por cinco membros da facção, numa disputa interna pelo comando geral do PCC. Enquanto tomava banho de sol na mesma quadra onde nasceu a organização, ele foi espancado até morrer.

Com o assassinato de Sombra, Geleião e Cesinha, responsáveis pela aliança do PCC com a facção criminosa CV (Comando Vermelho), do Rio de Janeiro, quando ambos estiveram presos no Complexo Penitenciário de Bangu, assumiram a liderança e passaram a coordenar atentados violentos contra prédios públicos.

Considerados “radicais” por uma outra corrente do PCC, mais “moderada”, Geleião e Cesinha foram depostos da liderança em novembro de 2002, quando Marcola assume de vez o grupo. Além de depostos, foram jurados de morte sob a alegação de terem feito delações à polícia. Por isso, eles criaram uma outra facção, o TCC (Terceiro Comando da Capital).

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