Atendendo a um pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a Justiça determinou a internação provisória de um adolescente de 17 anos investigado por ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado. O crime foi cometido em São Francisco de Assis (Centro-Oestre do Estado) na madrugada de 5 de maio e teve como vítima o padrasto, de 48 anos.
A decisão resulta de recurso interposto pela promotora Carolina Elisa Reinheimer, após decisão de primeira instância que havia negado a medida. No mesmo dia, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) acolheu a solicitação.
De acordo com a Polícia Civil, o adolescente estava acompanhado de dois homens quando agrediu brutalmente e esfaqueou o companheiro de sua mãe, no interior de uma casa no município. A motivação estaria associada a um desentendimento familiar.
O ataque foi fatal e levou o garoto a ser apreendido. O site do Ministério Público gaúcho (mprs.mp.br) não informa a atual situação dos adultos presentes no episódio, mas informações extraoficiais indicam que um deles já foi localizado e o outro ainda é alvo de buscas.
Em 8 de maio, a promotora ofereceu representação contra o adolescente pelo ato infracional, com os agravantes de emprego de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima:
“A decisão da Justiça é importante, diante da gravidade do caso e da repercussão do caso na região, para resguardar a ordem pública, evitar a prática de novos atos infracionais e assegurar a adequada apuração dos fatos, especialmente diante da insegurança gerada na comunidade com a liberação inicial do adolescente”.
Morte de pugilista
Em Osório (Litoral Norte), a Justiça determinou que um ex-brigadiano condenado pela morte do boxeador Tairone Luis Silveira da Silva cumpra sentença em penitenciária comum. O autor – até então preso em unidade militar – já está em uma cela na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan).
A medida acolheu argumentação do MPRS de que o crime não foi praticado no exercício da função policial e que o homicida já estava exonerado da Brigada Militar (BM) ao receber a sentença, portanto sem direito a cadeia militar.
O ex-PM foi condenado em júri popular de 2019, oito anos após o homicídio duplamente qualificado – por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa. Mas só acabou preso em 2025, com o esgotamento de todas as possilidades de recurso.
Aos 17 anos, Tairone já era campeão sul-americano de boxe quando foi assassinado a tiros durante uma discussão. A defesa do responsável pelos disparos alegou legítima defesa, mas testemunhas acusaram o ex-brigadiano de ter agido por inveja do sucesso profissional do adolescente. Ele também relatou uma desavença entre os dois cerca de dois meses antes: ao se reencontraram em uma rua da cidade, trocaram socos e pontapés até o desfecho armado.
(Marcello Campos)
