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“Laranja” disse que devolveu 650 mil reais em dinheiro vivo a compadre de Lula

A Moro, o “laranja” disse que o primo José Carlos Bumlai, pecuarista amigo de Lula que tinha livre acesso ao Planalto e foi preso pela Lava Jato, em 2015, pediu que ele efetivasse a devolução. (Foto: Ag. Câmara)

Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava-Jato, no dia 6 de setembro, o aposentado Glaucos da Costamarques, acusado de ser o “laranja” de Lula na compra do apartamento 121 do Edifício Hill House, vizinho do 122, onde mora o petista, em São Bernardo do Campo, e na compra do terreno do Instituto Lula, em São Paulo – negócios que tiveram propinas da Odebrecht -, afirmou que “devolveu” R$ 650 mil em dinheiro vivo dos R$ 800 mil que recebeu pela participação nos negócios.

O dinheiro teria sido pedido pelo advogado e compadre do ex-presidente Roberto Teixeira e retirado por dois emissários em um carro blindado com cofre debaixo do banco, segundo contou Glaucos da Costamarques.

“Algum tempo depois de tudo resolvido (os negócios dos imóveis), eu estava já lá tranquilo, o Roberto Teixeira falou: Ó Glaucos, você podia devolver esse lucro que você teve para o Instituto Lula”, disse Glaucos, interrogado como réu no processo em que Lula é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pelo acerto de R$ 12,4 milhões de propinas da Odebrecht.

O Ministério Público sustenta que Costamarques recebeu R$ 800 mil em dezembro de 2010 por ter sido “laranja” de Lula, nos negócios conduzidos por Teixeira. O valor embutia R$ 504 mil usados por ele quatro meses para comprar o apartamento 121 do Hill House e ainda a comissão de R$ 172 mil por ter sido “laranja”, além dos gastos de impostos.

O apartamento 121 do Hill House está em nome de Glaucos desde 2011 e é vizinho ao apartamento em que mora o petista e um dos pivôs de uma ação penal sobre supostas propinas da Odebrecht para Lula. A defesa do ex-presidente afirma que ele é locatário do apartamento 121, desde 2003. E que desde 2011 aluga o imóvel de Glaucos, pagando aluguel regularmente. Lula afirma que tem os recibos originais dos pagamentos.

“Eles não chamavam Instituto na época, hoje que, ele deu um nome lá, museu, qualquer coisa assim. Eu, na época, e aí, eu fiquei revoltado com o negócio, ué, eu faço um negócio. Aí fui falar com o Zé Carlos, ‘Zé Carlos, eles tão pedindo para eu devolver esse dinheiro, não tem cabimento, eu paguei imposto, tudo, você me falou que era para conversar com o Roberto Teixeira que ele tinha um bom negócio, mas que bom negócio, eu arrisco o meu dinheiro, porque se não desse certo eu tinha que pagar, se não desse certo esse Flip, como é que é? Não vou fazer isso não’.”

O bom negócio era a intermediação de compra do terreno da Rua Haberbecke Brandão, em São Paulo, que foi comprado para ser sede do Instituto Lula, também no segundo semestre de 2010. O imóvel foi adquirido pela DAG Construtora, a pedido da Odebrecht. A empresa foi uma espécie de “laranja” para ocultar as propinas pagas pela Odebrecht. Segundo Glaucos, os R$ 800 mil eram pela cessão de direito do imóvel que ele obteve por intermédio de Teixeira, sem nenhum custo.

A Moro, o “laranja” disse que o primo José Carlos Bumlai, pecuarista amigo de Lula que tinha livre acesso ao Planalto e foi preso pela Lava Jato, em 2015, pediu que ele efetivasse a devolução. “Não Glaucos, eu não posso me indispor com esse pessoal, faz isso por mim”, teria dito Bumlai.

“Eu falei: ‘Mas eu já gastei, eu posso até fazer isso por você, devolver, mas eu não vou devolver os 800 mil, porque eu paguei 120 mil de imposto e tive algumas despesas, e viagem para vir e umas coisas assim’, eu falei: ‘Olha, eu vou, eu posso até devolver, mas eu vou devolver 650, que é o 120 mais algumas despesas.”

Moro quis saber do “laranja” se ele entregou o dinheiro. “Eu entreguei os 650 mil para eles. Isso aí já começou a me desgastar.” Questionado pela procuradora regional da República Isabel Cristina Groba Vieira, da força-tarefa da Lava-Jato, Glaucos disse que tem como informar detalhes dos dois saques que fez. “Eu tenho os saques. Foi no Unibanco.”

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