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Lideranças evangélicas se afastam de Flávio Bolsonaro após derrota

Pastor Eli Borges (Republicanos-TO), ex-presidente da bancada evangélica na Câmara, manifestou apoio à saída do senador do País. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Lideranças de importantes denominações evangélicas começaram a se distanciar do grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL) após a derrota na eleição presidencial e a reação do parlamentar ao resultado das urnas. O movimento envolve representantes da Igreja Universal do Reino de Deus e de setores das Assembleias de Deus, que passaram a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao bolsonarismo.

A mudança ocorre depois de parte das lideranças religiosas ter demonstrado apoio mais expressivo à candidatura de Flávio durante o segundo turno. Inicialmente, representantes de grandes igrejas haviam ensaiado uma posição de neutralidade, mas a adesão ao senador ganhou força na reta final da campanha.

A reação de Flávio à derrota, entretanto, provocou desconforto entre representantes do segmento. Depois de deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos, o senador divulgou uma carta na qual contestou o resultado eleitoral e se apresentou inicialmente como o verdadeiro presidente eleito. Posteriormente, alterou o texto e passou a se definir como líder do país.

Na Igreja Universal, um dos sinais de distanciamento foi a divulgação de uma manifestação do bispo Edir Macedo sobre o lema “Deus, pátria e família”, associado ao bolsonarismo. O líder religioso afirmou que a hierarquia de valores da denominação prioriza Deus, a família e, depois, os demais aspectos da vida social.

A declaração foi compartilhada pelo bispo Alessandro Paschoall, interlocutor da igreja em assuntos políticos. O movimento também ocorre em meio à avaliação dos resultados eleitorais de candidatos ligados à denominação. Dos 12 deputados federais associados à Universal, metade não conseguiu renovar o mandato.

O desempenho levou representantes religiosos a reavaliar os efeitos da aproximação com o grupo político bolsonarista. Entre os integrantes da igreja, há a percepção de que o alinhamento eleitoral pode ter beneficiado mais os aliados políticos do que a própria instituição.

Na Assembleia de Deus de Madureira, o bispo Abner Ferreira reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia seguinte à eleição. A manifestação ocorreu apesar de seu irmão, o bispo Samuel Ferreira, ter recomendado voto em Flávio durante um culto realizado no Rio de Janeiro na campanha do segundo turno.

O bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações, também defendeu o encerramento da disputa eleitoral. A igreja ganhou destaque por ter sido o local onde Flávio foi batizado, em 2024. Carvalho afirmou que as eleições terminaram e rejeitou a possibilidade de um terceiro turno.

Mesmo entre aliados históricos da família Bolsonaro, surgiram críticas à condução política do senador após a derrota. O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, teria criticado reservadamente a reação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro à derrota eleitoral. Publicamente, porém, defendeu a saída de Flávio do Brasil, classificando-o como um perseguido político.

O deputado federal e pastor Eli Borges (Republicanos-TO), ex-presidente da bancada evangélica na Câmara, também manifestou apoio à saída do senador do País, embora tenha afirmado não ter lido a carta divulgada por ele.

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