O cantor Netinho faleceu nessa terça-feira (13) devido a um linfoma não Hodgkin do tipo B. De acordo com a nota divulgada no perfil do artista no Instagram, o quadro evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
No ano passado, o cantor precisou ser hospitalizado após sentir fortes dores nas costas e perder os movimentos das pernas. Com histórico de três acidentes vasculares cerebrais e colocação de cinco stents, Netinho já havia passado por três cirurgias no cérebro e convivia com uma válvula cerebral permanente.
Os linfomas são tumores que afetam o sistema linfático, a rede de órgãos, tecidos e vasos que auxilia no equilíbrio de líquidos do corpo, na absorção de gorduras e na defesa imunológica.
Eles podem ser classificados como Hodgkin, mais raro e que afeta em especial jovens entre 15 e 25 anos e, em menor escala, adultos de 50 a 60 anos, ou não Hodgkin, cujo grupo de risco é composto por idosos. Existem ainda dezenas de subtipos de linfomas — como o tipo B, no caso de Netinho —, cada um com características, comportamento e tratamento específicos.
“Os linfonodos estão espalhados por todo o nosso organismo, ou seja, a doença pode acontecer em qualquer parte”, explicou o médico Ricardo Bigni, chefe da Hematologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em matéria anterior do Pulsa.
No Brasil, o Inca estima 3.070 casos de linfoma de Hogdking e 12.560 de linfoma não Hodgking por ano. Segundo a entidade, por motivos ainda desconhecidos, o número duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos.
Sintomas
Trata-se de um tipo de câncer que pode apresentar sintomas semelhantes aos de outras condições, alerta Mariana Oliveira, onco-hematologista da Oncoclínicas. Isso reflete no diagnóstico tardio: cerca de 58% dos pacientes descobrem a doença em estágio avançado, de acordo com uma pesquisa feita pelo Observatório de Oncologia entre 2008 e 2017. O tempo médio para receber o diagnóstico de um linfoma no Brasil pode chegar a 149 dias, segundo um estudo da Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale).
Os sintomas de um linfoma são aumento dos gânglios linfáticos (linfonodos ou ínguas) nas axilas, na virilha e/ou no pescoço, dor abdominal e coceira. Outros sintomas que podem aparecer são:
– Febre persistente;
– Suor noturno, daqueles que molham o lençol;
– Perda de peso sem explicação;
– Cansaço excessivo.
Embora não haja formas estabelecidas de prevenção para esse tipo de câncer porque ainda não se conhece o que leva a seu surgimento, o diagnóstico precoce é fundamental para ampliar as possibilidades de tratamento.
“A boa notícia é o fato de os linfomas terem alto potencial curativo”, afirma a médica.
Tratamentos
“As duas categorias, Hodgkin e não Hodgkin, apresentam outros subtipos específicos, com características clínicas diferentes entre si e prognósticos variáveis. Por isso, o tratamento não segue um padrão, mas usualmente consiste em quimioterapia, radioterapia ou a combinação de ambas as modalidades”, explica Mariana.
Em certos casos, a terapia-alvo molecular, que tem como meta de ataque uma molécula da superfície do linfócito doente, pode ser indicada. Nesses casos, proteínas feitas em laboratório atuam reconhecendo e destruindo a célula cancerosa no organismo.
Dependendo da extensão dos tumores e eficácia das medicações, pode haver ainda a indicação de transplante de medula óssea.
Diante dos desafios impostos pela crescente incidência da doença, novas alternativas terapêuticas vêm surgindo para combater os linfomas, especialmente para os que não respondem aos tratamentos convencionalmente indicados. “A medicina tem avançado nos últimos anos principalmente através da terapia celular”, afirma a onco-hematologista.
Ela conta que o autotransplante, tratamento no qual é realizada uma quimioterapia mais intensa seguida pela infusão da medula do próprio paciente, é uma inovação promissora.
A imunoterapia é outra. Com bons resultados apontados por estudos e pesquisas de referência global, o tratamento estimula o organismo do paciente a reconhecer e combater as células tumorais. “De forma bastante simplificada, podemos dizer que os imunoterápicos desativam os receptores dos linfócitos e, assim, permitem que as células doentes sejam reconhecidas. Isso faz com que o organismo volte a combater o tumor, e sem causar efeitos colaterais comuns a outras medicações habitualmente adotadas nos processos terapêuticos”, explica Mariana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
