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Lobista do PMDB confessou ter intermediado o pagamento de 11 milhões de reais aos ex-ministros Renan Calheiros, Jader Barbalho, Aníbal Gomes e Sílas Rondeau

Os valores teriam sido pagos em troca do suposto apoio. (Foto: Pixabay)

O lobista do PMDB Jorge Luz afirmou na quarta-feira (19), em interrogatório que para políticos “não importa” de onde vem o dinheiro. Luz confessou ter intermediado pagamento de R$ 11,5 milhões em propina para os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho (PMDB-PA), o ex-ministro Silas Rondeau e o deputado Anibal Gomes (PMDB-CE).

Os valores, segundo o lobista, teriam sido pagos em troca do suposto apoio para fortalecer os ex-diretores da área Internacional Nestor Cerveró e de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, na estatal. Jorge Luz foi questionado por Moro se, durante reuniões com políticos, era apontado o caminho do dinheiro, se os valores saíram de doações eleitorais ou de contratos da Petrobras.

“Repare só o seguinte, juiz Moro, o que aconteceu. Quando foi ser tratado o apoio, para os políticos não importava da onde vinha. Para eles, tanto faz. ‘X’ e pronto, R$ 11,5 milhões. Está todo mundo falando de US$ 6 milhões, não sei o que. Para mim, são R$ 11,5 milhões, que podem ter sido na época US$ 6 milhões, não sei. Então, houve uma discussão, era 10 milhões, passou para 6, depois para… ou seja, houve uma discussão, queriam 4 e acabaram chegando a um acordo”, relatou.

“Quem discutia era o dono do dinheiro, que eram os diretores, o diretor, mas acertado Cerveró com Paulo, porque apesar de o Paulo não ter recursos, eu lembro disso, Paulo não tem mais nada, não tinha como pagar, o Cerveró assumiu e depois ¡zeram um encontro de contas, não sei explicar ao senhor como porque eu não participava desse acordo”, a¡rmou.

Jorge Luz foi direto. “O político sabe que quem está com a mão na massa é quem tem o dinheiro. Para ele, se vem da P10K, P 10 mil, PV 20 mil, 30 mil, para ele não importa.” A Sergio Moro, o lobista relatou que foi informado por Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB, que os dois agentes públicos estariam “balançando” em seus cargos por volta de 2005, e , por isso, pediu ajuda aos parlamentares. Em troca da suposta solicitação, os três teriam pedido propinas.

O lobista é réu acusado de intermediar propinas de R$ 2,5 milhões de executivos da empreiteira Schahin para funcionários da Petrobras no âmbito de contratos da estatal. Ele e seu ¡lho, Bruno, também são investigados neste processo por intermediar valores indevidos a políticos do PMDB.

A Moro, o lobista alegou que conhecia Jader e Renan ‘desde os anos 80’, e que voltou a contatá-los após ter recebido um pedido de ajuda de Fernando Baiano para ajudar os dois diretores da Petrobras, em 2005. Segundo Luz, os agentes estavam “balançando no cargo” e Baiano via nele uma chance de aproximação com o PMDB. De acordo com o lobista, ele chegou a entrar primeiro em contato com Aníbal Gomes, que seria muito ligado ao Renan. O deputado teria tido uma primeira conversa com Jader, Renan e Silas Rondeau (ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula). Com a resposta positiva dos peemedebistas a ajudar Cerveró e Paulo Roberto Costa, teriam ‘começado as negociações’.

“Havia um pedido alto para que houvesse esse apoio, o apoio se traduziria em ajuda ¡nanceira, e em uma oportunidade de que esses políticos pudessem participar de operações que viessem a surgir no decorrer do tempo. Isso aconteceu, acertaram. havia sido pedido um número, discutiram, e o Fernando e o Anibal – porque o Fernando representava os diretores e o Anibal os políticos – chegaram ao valor de 11,5 milhões de reais”, af¡rmou.

Jorge Luz af¡rmou a Moro que ainda houve uma reunião para que os diretores da Petrobrás tivessem certeza de quem seriam os bene¡ciários da propina. “Estávamos eu, o Cerveró o Paulo Roberto Costa, Anibal, Jader. Eu não tenho certeza se o Renan estava.”

Segundo Luz, o dinheiro vinha de uma ‘negociação que tinha sido feita entre o Fernando Soares junto com a Samsung, através de seu representante, Júlio Camargo. O lobista ainda disse a Moro que ‘sempre havia atrasos’ nos pagamentos e começou a existir um ‘desgaste’ entre Aníbal Gomes e Fernando Baiano. “O Aníbal pedia, pedia, e o Fernando, pelas razões que alegava, não podia, tava atrasado.”

“O Aníbal passava as contas para o Fernando, o Fernando passava para o Julio Camargo e o Julio fazia os pagamentos. O  controle dos 11 milhões eu não tenho porque eu não participei. Eu participei de toda a estruturação e, quando em determinado momento a relação passou a ¡car muito difícil, eu passei a ser intermediário na recepção das contas que o Aníbal passava e eu entregava ao Fernando. isso foi feito. Os 11 milhões e meio vieram.”

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