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Lula cai em lágrimas ao final de desfile da Acadêmicos de Niterói

A apresentação aconteceu na noite de domingo (15) no sambódromo da Sapucaí. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O prefeito de Niterói (RJ), Rodrigo Neves, que acompanhou o desfile da Acadêmicos de Niterói no mesmo camarote que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contou que o petista ficou profundamente emocionado com a homenagem da escola, que narrou a vida dele em forma de samba-enredo.

“Eu percebi o presidente bastante emocionado”, disse o prefeito ao deixar o camarote. Questionado se o presidente chorou durante a apresentação, respondeu que sim.

“As pessoas responderam ao samba, cantaram o samba. A escola está de parabéns. Fez um grande Carnaval. Carnaval é isso, é polêmica, é liberdade criativa.”

Repercussão

O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no carnaval do Rio de Janeiro foi destaque em alguns veículos internacionais nessa segunda-feira (16).

A apresentação aconteceu na noite de domingo (15) no sambódromo da Sapucaí. Lula esteve presente e assistiu ao espetáculo de um dos camarotes, mas não participou do desfile — em meio a receios do governo e do Partido dos Trabalhadores de riscos de crime eleitoral durante o evento, o que poderia levar a punições futuras à esperada candidatura à reeleição do presidente.

Em artigo intitulado “Lula, carnaval e polêmica”, o jornal argentino Clarín destacou que a homenagem da Acadêmicos de Niterói no carnaval foi “criticada pela oposição como propaganda eleitoral em um ano em que o presidente do Brasil busca a reeleição”.

A homenagem gerou acusações de campanha eleitoral antecipada por parlamentares bolsonaristas, além de críticas sobre o uso de dinheiro público para financiar a escola — o valor recebido do governo federal (R$ 1 milhão) foi o mesmo destinado às outras doze agremiações do grupo especial do Rio.

“Os ensaios públicos do desfile geraram polêmica ao exibirem imagens satíricas do ex-presidente Jair Bolsonaro em um telão. A oposição denunciou o desfile como um evento de campanha eleitoral meses antes do início oficial da campanha, em agosto, e exigiu cortes no financiamento público da escola de samba.”

O jornal afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou por unanimidade pedidos feitos pela oposição para impedir o desfile, mas também destacou que o governo e o PT orientaram apoiadores de Lula para atitudes que possam causar possíveis problemas.

A agência de notícias Associated Press afirma que Lula ganhou “impulso de imagem no Carnaval do Rio” mas também “enfrenta riscos legais”.

“Não é a primeira vez que os desfiles de Carnaval homenageiam Lula, já que progressistas como ele compõem a maioria dos participantes da festa”, afirma o texto.

“Em 2003, seu primeiro ano como presidente, a renomada escola de samba Beija Flor apresentou um carro alegórico que o retratava como um político corajoso lutando contra a fome. Nove anos depois, a escola de samba Gaviões da Fiel, também paulistana, dedicou seu desfile a Lula.”

“Mas nunca antes uma homenagem desse tipo havia ocorrido em ano de eleição presidencial e com o Tribunal Superior Eleitoral acompanhando de perto.”

A reportagem afirma que apesar de o TSE ter rejeitado denúncias da oposição, os juízes “disseram que poderão revisar o caso se houver alguma ação que viole a lei eleitoral durante a apresentação”.

“Dentro de alguns meses, a presidência do Tribunal Eleitoral passará para o ministro Kássio Nunes, indicado por Jair Bolsonaro, adversário e antecessor de Lula, que foi crítico do Carnaval durante seu mandato. Nunes também estará no comando durante as eleições presidenciais brasileiras em outubro.”

Já a agência de notícias Reuters afirmou que o desfile da escola de samba virou uma “dor de cabeça” para o presidente brasileiro.

“Quando o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva soube que uma escola de samba do Rio de Janeiro basearia seu desfile de carnaval deste ano em sua trajetória de operário de fábrica a presidente, ele caiu em lágrimas e depois sorriu para as fotos segurando a bandeira da escola”, afirma a reportagem.

“Mas, à medida que o mundialmente famoso desfile de carnaval do Rio se aproximava, a homenagem foi se tornando uma dor de cabeça política.” As informações são da revista Veja e da BBC News.

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