O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou um evento que reuniria nessa terça-feira (17) cerca de 700 convidados para o lançamento do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital. A decisão foi tomada para que ele pudesse entender melhor os detalhes do decreto que seria assinado na ocasião.
O governo adiou para esta quarta-feira (18) a cerimônia de assinatura de três decretos, entre eles o que regulamenta o ECA Digital, legislação de proteção para crianças e adolescentes no ambiente online aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula no ano passado.
O evento estava marcado para terça às 11h, mas foi cancelado a pedido do próprio presidente. De acordo com pessoas ligadas ao tema, Lula pediu mais tempo para ler os decretos.
Depois, o Planalto remarcou a cerimônia para quarta (18) às 15h. Não houve pedido de ajustes por parte do presidente, afirmaram pessoas a par do assunto à Folha de S.Paulo.
A previsão é que Lula assine também um decreto que discuta as atribuições da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados), escolhida como autoridade a implementar as previsões do ECA Digital, e outro sobre um canal da PF (Polícia Federal) para receber denúncias de crimes contra crianças e adolescentes no ambiente virtual.
O cancelamento do evento de terça foi comunicado aos convidados pela manhã, poucas horas antes do horário previsto para o encontro. De acordo com um dos convidados, a justificativa oficial foi por questões de agenda do presidente.
Apesar do cancelamento inicial do evento, houve determinação do presidente para que a equipe envolvida permanecesse durante a manhã no Palácio do Planalto para despacho sobre o tema. A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública estão envolvidos nas discussões sobre o tema.
O ECA Digital entrou em vigor nessa terça. A nova legislação, formalmente chamada de Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025), estabelece regras para produtos e serviços digitais acessíveis a menores de 18 anos, como redes sociais, jogos online, aplicativos e plataformas de compartilhamento de conteúdo.
O texto obriga redes sociais que operam no Brasil a abandonar o uso de recursos que possam prender a atenção de crianças e adolescentes, como a rolagem infinita de feed sem pausas naturais e a reprodução automática de vídeos.
O texto também barra todos os tipos de técnicas que explorem fragilidades emocionais ou cognitivas dos jovens, criando falso senso de urgência e usando pressão emocional ou gatilhos de recompensa para mantê-los online. Nessa linha, ele veta o disparo de notificações com o intuito de levar usuários de volta aos aplicativos.
Uma primeira versão do decreto começou a circular nos bastidores na primeira semana de março, mas o texto sofreu alterações desde então. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
