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Lula cita “seriedade fiscal” e que “pobre não pagará a conta” de cortes

"Você não pode gastar o que você não tem. Isso que eu aprendi na minha vida eu trouxe para o governo", afirmou. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (6) que o governo mantém compromisso com a responsabilidade fiscal e que a população de baixa renda não será prejudicada por medidas de ajuste nas contas públicas. Durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília, o presidente também rebateu cobranças do mercado financeiro por cortes de despesas.

“Não é o que o sistema financeiro quer, porque ele quer tudo. Não, é o que a gente pode fazer. A única coisa que eles têm que saber é que o pobre não pode pagar a conta”, declarou Lula.

O presidente saiu em defesa da equipe econômica e afirmou que os integrantes do grupo trabalham para manter o equilíbrio das contas públicas, mesmo diante de divergências com outros integrantes do governo sobre a distribuição dos recursos do Orçamento.

“Ninguém nesse País pode falar mais de responsabilidade fiscal do que minha equipe econômica. Esses meninos que ganham pouco, que se matam de trabalhar e são xingados, brigando com outros ministros porque nós temos que tirar dois tostões de um para colocar no outro. Ficam o ano inteiro brigando para manter a política fiscal com responsabilidade”, afirmou.

Lula também questionou as críticas à situação fiscal brasileira e defendeu que as avaliações considerem as condições encontradas pelo governo quando assumiu o Palácio do Planalto, em janeiro de 2023. O presidente pediu que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresente à imprensa informações sobre a dívida pública brasileira.

Ao comparar o endividamento do País com o de outras economias, como Estados Unidos, França, Japão e Itália, Lula afirmou que os números precisam ser analisados em perspectiva.

“Quantos países do mundo têm a seriedade fiscal que nós temos? Qual é a dívida dos Estados Unidos, da França, do Japão, da Itália? Perto da nossa, é o dobro em relação ao PIB. Se a gente for analisar a nossa dívida de verdade, ela nem é tudo que aparece”, disse.

O presidente também afirmou que o governo está encaminhando um Orçamento com previsão de superávit. O projeto orçamentário de 2027 enviado ao Congresso Nacional prevê resultado primário positivo de R$ 18,6 bilhões, equivalente a aproximadamente 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

A declaração de Lula sobre ter recebido o governo com déficit de 2,8% do PIB, entretanto, não corresponde ao resultado primário do setor público consolidado em 2022. Segundo dados do Banco Central, naquele ano houve superávit de R$ 126 bilhões, equivalente a 1,28% do PIB.

Durante o pronunciamento, Lula também reconheceu que os resultados econômicos de 2026 ficaram abaixo de suas expectativas. O presidente afirmou que gostaria de ver um crescimento mais expressivo da economia, desemprego próximo de zero e um salário mínimo de R$ 5 mil.

Ao falar sobre responsabilidade fiscal, ele ainda mencionou os ensinamentos da mãe, Dona Lindu, que, segundo o presidente, o orientou a não gastar mais do que tinha.

“Você não pode gastar o que você não tem. Isso que eu aprendi na minha vida eu trouxe para o governo”, afirmou.

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