O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma cobrança a aliados e afirmou que a campanha deste ano foi a “menos organizada” que já participou ao longo de sua trajetória política. A declaração do petista ocorreu em reunião com deputados, senadores e governadores aliados na manhã desta quarta-feira (7), segundo três participantes do encontro, na parte em que não foi transmitida à imprensa.
Ele afirmou isso ao lado de Edinho Silva, presidente nacional do PT e coordenador-geral de sua campanha. A fala de Lula ocorre num momento em que há uma série de críticas à coordenação de campanha e cobranças por mudanças após ele ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno: o senador teve 47,03% dos votos, ante 45,16% do petista.
A expectativa entre aliados de Lula é que o ex-ministro da Educação Camilo Santana assuma uma posição de destaque na equipe do petista daqui para frente, reduzindo o poder de Edinho. Ex-governador do Ceará, Camilo atuou nos últimos meses como principal cabo eleitoral para que Elmano de Freitas (PT) fosse reeleito governador de seu estado. Essa vitória aumentou o prestígio do senador junto ao presidente da República e entre lideranças petistas.
Pessoas que participam da coordenação afirmam que ainda não está claro como deve ser a divisão de papéis entre os dois integrantes da coordenação-geral, mas há uma expectativa que algum anúncio possa ser feito ainda nesta quarta.
Lula também fez essa cobrança a aliados e falou da falta de organização da campanha na parte da reunião que foi transmitida à imprensa. A declaração apareceu em transmissão no canal do PT no YouTube que foi retirada do ar em seguida:
“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, disse.
Há muitas críticas também na condução da comunicação da campanha, sobretudo à atuação de Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que opina sobre as estratégias eleitorais. Lideranças petistas e integrantes do governo passaram a defender uma mudança radical na linha de comunicação.
As principais críticas à propaganda eleitoral do PT no primeiro turno têm como foco o destaque dado a temas como soberania e terras raras. A avaliação é que esses assuntos não produzem engajamento e são de difícil compreensão para a população.
Em outro momento em sua fala nesta quarta, Lula reconheceu que precisa aumentar sua presença no ambiente digital. Na segunda, em reunião com aliados, ouviu do governador reeleito Rafael Fonteles (PT-PI), a necessidade de fazer mais vídeos no formato selfie. Nesta quarta, o petista já fez dois desses filmetes e publicou nas redes.
