Esta semana começou turbulenta para o mercado financeiro. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, anulou todas as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionadas à Operação Lava-Jato.
Isso significa que, neste momento, o principal nome do Partido dos Trabalhadores (PT) está elegível novamente – o que torna o cenário para 2022, ano de eleições presidenciais no Brasil, ainda mais indefinido.
Com a decisão de Fachin, o dólar bateu o patamar de R$ 5,80 na segunda-feira (8), após saltar 2,08% no dia. A Bolsa, por sua vez, entrou em forte trajetória de queda e chegou a desvalorizar 3,98% durante o pregão, fechando a sessão de abertura da semana com 110.611,58 pontos.
A notícia vem em um momento em que o mercado questiona a intervenção política do atual presidente, Jair Bolsonaro, na Petrobras. A popularidade do chefe do Executivo também está estremecida: a aprovação do governo caiu para 28%, menor nível desde a posse, segundo o estudo feito pela Inteligência, Pesquisa e Consultoria (Ipec).
Lula também é apontado em pesquisa divulgada no último sábado (6) pelo instituto como tendo maior capital político do que Bolsonaro.
Metade dos entrevistados disseram que com certeza votariam ou poderiam optar pelo petista se ele se candidatasse novamente à Presidência, e 44% afirmaram que não o escolheriam de jeito nenhum. Já o atual líder do executivo aparece com 12 pontos porcentuais a menos no potencial de voto (38%), e 12 a mais na rejeição (56%).
Antes um cenário pouco provável, já que o petista estava inelegível pela Lei da Ficha Limpa, agora a conjuntura ganha novos desdobramentos. “Essa anulação feita por Fachin elevou o nível de incertezas sobre a economia brasileira, por isso essa pressão no dólar e queda no Ibovespa”, explica Paloma Brum, analista da Toro Investimentos. “O receio do mercado é que o período eleitoral que se avizinha seja mais conturbado com uma possível candidatura de Lula, que é um político de alinhamento à esquerda, cuja visão pode ser contrária a diversas pautas econômicas, como as reformas.”
Segundo Brum, se uma eventual vitória de Lula nas urnas colocasse em risco a agenda de reformas, haveria deterioração do ambiente de negócios brasileiro. “O que pode dificultar a nossa trajetória fiscal, reduzir a confiança de investir a longo prazo no País e, por consequência, também comprometer o crescimento econômico brasileiro. Reafirmo que é uma expectativa negativa, mas ainda não há nada de concreto.”
