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Lula demite comandante do Exército

O novo comandante do Exército é o general Tomás Miguel Ribeiro Paiva. (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demitiu neste sábado (21) o general Júlio César de Arruda do cargo de comandante do Exército. O substituto será o atual o comandante militar do Sudeste, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva. Ele comandava a região desde 2021.

Arruda, nomeado por Lula ainda durante o governo Bolsonaro, assumiu em 30 de dezembro de 2022, o que faz dele o chefe da Força Terrestre que menos tempo passou no cargo desde o fim do regime militar: foram apenas 23 dias.

A demissão do comandante se deu por um acúmulo de fatores, como a recusa de Arruda em permitir prisões no acampamento em frente ao Quartel General do Exército após os ataques na Praça dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro, e sua resistência em exonerar o tenente-coronel do Exército Mauro Cesar Barbosa Cid, conhecido como “coronel Cid”.

Fiel escudeiro de Jair Bolsonaro e ajudante de ordens do ex-presidente até o fim do último governo, Cid tinha uma nomeação garantida para assumir um batalhão do Exército em Goiânia. Foi grande a pressão para que essa nomeação fosse cancelada pelo comandante Júlio Cesar de Arruda, o que não se confirmou.

O general exonerado foi substituído pelo então comandante militar do Sudeste, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, que é amigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, rechaçou a possibilidade de um golpe após a eleição de Lula e chegou a ser chamado de ‘melancia’ por apoiadores de Jair Bolsonaro.

Reunião

Antes de ser demitido, Júlio César Arruda participou nesta sexta-feira (20) de uma reunião, no Palácio do Planalto, com Lula, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e os comandantes da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, e da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno.

Foi a primeira reunião do presidente com os comandantes das Forças Armadas depois de Lula defender punição para militares envolvidos nos atos extremistas de 8 de janeiro. Após o encontro, José Múcio Monteiro falou em “virar a página”.

O ministro da Defesa disse também não ver envolvimento “direto” das Forças Armadas nos ataques em Brasília. Múcio afirmou também que os comandantes concordavam com a tomada de providências contra os militares eventualmente envolvidos nos atos.

Novo comando

Nascido na cidade de São Paulo, o novo comandante do Exército, Tomás Miguel Ribeiro Paiva, iniciou a carreira militar em 1975, quando entrou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas (SP).

Atuou em misssão do Exército no Haiti e foi Comandante da Força de Pacificação da Operação Arcanjo VI, no Complexo da Penha e do Alemão, no Rio de janeiro (RJ), em 2012. Também foi ajudante de Ordens do Presidente da República e Assessor Militar do Brasil junto ao Exército do Equador.

O general também chefiou o Gabinete do Comandante do Exército, em Brasília, e comandou a 5ª Divisão de Exército, em Curitiba (PR).

Em 2019, Ribeiro Paiva assumiu o posto de general de Exército, o mais alto da carreira militar. Na época, passou a integrar o Alto Comando do Exército, órgão colegiado onde são discutidos temas da Política Militar Terrestre e assuntos de interesse do comandante do Exército.

Ribeiro Paiva era apontado, durante todo o ano de 2022, como o candidato favorito para chefiar o Exército do grupo que costumava ser ouvido sobre a Defesa na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva – acadêmicos como Manuel Domingos Netto, petistas como José Genoino e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Seu nome, no entanto, foi posto de lado em favor de Julio César de Arruda em função da decisão do presidente e do ministro da Defesa, José Múcio, de escolherem os oficiais mais antigos de cada Força para chefiar a Marinha, o Exército e a Aeronáutica.

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