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Após vitória, Lula diz que não tem mais adversários: “Preciso governar para 215 milhões de brasileiros”

Presidente Lula discursa em hotel de São Paulo após ser reeleito. (Foto: Reprodução/TV)

Em sua primeira declaração após a virada inédita no segundo turno sobre Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou apaziguar o clima polarizado da campanha de 2026 e afirmou que vai governar para todos. Ele também agradeceu à generosidade da juventude brasileira e atacou big techs americanas, além de mandar recados para o governo americano. Lula foi reeleito para o quarto mandato ao vencer Bolsonaro por 51,8 a 48,2% dos votos.

— Não tenho mais adversários. Tenho que governar para 215 milhões — afirmou Lula.

No início, ele fez agradecimentos e dedicou recados para adversários diretos:

— Hoje, a minha fala para a imprensa é de agradecimento. Nós tivemos o menor número de abstenções da história desse país e o menor número de votos nulos. Tenho que fazer um agradecimento às pessoas que coordenaram nossa campanha, aos partidos que participaram conosco, mas queria agradecer ao povo brasileiro, pela generosidade que tem comigo há muito tempo, e à juventude brasileira. Quero agradecer às pessoas idosas, depois que vi hoje pessoas sendo carregadas pelos seus entes para ir votar, porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para segurar a democracia do nosso país. Queria agradecer à sociedade como um todo — disse ele na abertura do discurso.

Na sequência, ele atacou as plataformas digitais, acusadas pela campanha de Lula de interferir na disputa.

— Tivemos que vencer a intromissão de fora para dentro, através de plataformas digitais que nós vamos ter que regular. Não é possível que o crime digital não tenha que ser tratado igual ao crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas, grandes, faturando milhões e milhões e não pagando impostos para esse país, querendo direcionar as eleições deste país.

Sem citar o nome de Bolsonaro, Lula votou a chamar o adversário de miliciano, repetindo o que vinha dizendo nos debates:

— Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, da mentira. E eu confesso a vocês que, cada vez que eu ia a um debate, ficava constrangido, porque já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, me reúno todo ano com o G20, com o Brics, com os principais presidentes do mundo, discutindo os principais assuntos do mundo, mas nunca pensei que iria me deparar com o representante genuíno do “milicianismo” desse país. Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez, como se não tivesse dentro dele uma célula de humanismo. Parece tudo falso.

Ele também enviou recado ao governo de Donald Trump, que esperava uma vitória de Bolsonaro:

— Como disse uma vez o meu cantor preferido, Chico Buarque de Holanda, ele gostava do nosso governo porque o nosso governo não falava grosso com a Bolívia e falava fino com os Estados Unidos. A gente falava igual com todo mundo.

Projeção para o futuro
Lula falou de cuidar dos idosos e de respeitar mais as mulheres, prometeu a regulamentação das redes sociais, falou de transformar o país “em um país do desenvolvimento” e falou de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).

— Nós queremos fazer desse país um país do desenvolvimento, muito investimento na economia digital, na economia verde, na economia criativa. Este país vai ser construído não por mim, porque muitas das coisas que eu estou falando aqui é por vocês, porque nós vamos exercitar o potencial criativo desse povo para deixar de ser um país periférico, queremos ser um país central, nas políticas e na busca pela paz. Vamos ensinar ao mundo como se tratam as políticas climáticas neste país, e neste ano, é a primeira vez que a gente consegue reduzir o desmatamento pelo quarto ano seguido.

Ele tentou novamente um discurso conciliador:

— Este país está pronto para ser construído, não vou falar de unidade nacional porque essa palavra nem sempre cabe neste país. Mas esse país tem que ser civilizado. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos, com base no respeito à Constituição, na relação com o Congreso, porque já tem gente falando que o Lula vai ter dificuldade para governar, mas eu não escolho Congresso, foi o povo quem escolheu. E é com ele que eu vou trabalhar.

Lula falou que quer criar uma inteligência artificial brasileira e que quer data centers reservando capacidade para o mercado brasileiro.

Corinthians ‘só perde’

Na reta final, ele citou o Corinthians e comparou o momento do clube de coração à família Bolsonaro:

— O Corinthians parece o Bolsonaro. Só perde.

No início, Lula passou a palavra para o vice-presidente Geraldo Alckmin, dizendo que ele foi um dos responsáveis pela vitória. “Ele tem muito a ver com essa nossa vitória e eu acho que é justo”. Feliz de quem tem um vice como o Alckmin, disse Lula. Alckmin saudou jovens, mulheres e idosos e afirmou que Lula salvou a democracia brasileiro. (Com informações do portal O Globo)

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