O candidato do PT à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nessa sexta-feira (18) que Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário na disputa presidencial, tem ligação com milicianos e que o Master “virou banco” na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula fez os ataques ao candidato do PL durante entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. O petista cumpre nesta sexta agenda de campanha no estado, que é berço político e reduto eleitoral de Flávio.
“Tem um candidato a presidente ligado a miliciado no Rio de Janeiro, muita gente da família Bolsonaro ligado com miliciano. É preciso limpar a política e a polícia. A sociedade brasileira tem que assumir a responsabilidade pelo futuro que quer. Acho inconcebível o Rio viver a realidade que vive”, disse Lula.
As suspeitas de elo entre Flávio e milicianos surgiram na época que ele era deputado estadual no Rio de Janeiro e contratou em seu gabinete na Alerj parentes do miliciano Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do “Escritório do Crime”. Além disso, quando era deputado estadual, Flávio concedeu honrarias a policiais suspeitos de envolvimento com milícias.
O candidato do PL nega ligação com milicianos e diz que as condecorações dadas valorizavam policiais até então considerados “fichas-limpas”.
Caso Master
Durante entrevista, o presidente também fez menções ao escândalo Master, de fraudes financeiras bilionárias. Lula disse que o Master, de Daniel Vorcaro, virou banco na gestão de Jair Bolsonaro. E que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no governo petista.
“O telefone do Vorcaro, o quanto ele esta nessa relação, maior escândalo de corrupção do país. O Master não era banco, a família Bolsonaro que fez virar banco. E o Vorcaro virou prisioneiro no meu governo”, declarou.
O empresário Daniel Vorcaro obteve autorização regulatória para assumir o controle do Banco Máxima em 2019. Em 2021, após a compra do Banco Vipal e um processo de reestruturação do Máxima, a instituição foi oficialmente rebatizada como Banco Master. Jair Bolsonaro presidiu o país de janeiro de 2019 a dezembro de 2022.
Em outro momento da entrevista, Lula voltou a dizer que as irregularidades do Master tiveram origem na gestão Bolsonaro e mencionou um encontro que teve com Vorcaro no Palácio do Planalto.
“Esse Vorcaro me procurou um dia, disse: ‘Olha estão me prejudicando’. E eu falei: ‘Se seu banco for correto, não vai fechar… E fechou, porque não estava correto”, relatou Lula.
Ainda sobre o tema, Lula foi questionado sobre a crise no Supremo Tribunal Federal, resultante das revelações do escândalo Master.
O petista disse que vê a crise institucional com “tristeza” e, novamente, afirmou que foi o governo Bolsonaro que permitiu que Vorcaro virasse “banqueiro”.
“Você vê um cidadão (Vorcaro), zé ninguém, o governo Bolsonaro fez virar banqueiro, envolveu bancos, outras pessoas. Ele virou prisioneiro no meu governo. Ele (Vorcaro) corrompeu todo mundo, patrocinava orgia, trazia mulher para os bacanas brasileiros, envolveu deputado, senador, Suprema Corte, todo mundo”, disse.
O presidente afirmou que, se reeleito, terá que debater como consertar o STF e defendeu uma reforma do Poder Judiciário.
“Me preocupa e vamos ter que discutir como consertar isso. Como consertar a Suprema Corte? Ministros ligados indireta e diretamente. A bronca (do Flávio) com Moraes não é pelo Master, mas pela prisão do pai”, disse o candidato do PT.
Lula também disse Alexandre de Moraes teve um papel “importante” no julgamento da trama golpista, em que atuou como relator, mas que “ninguém defende o contrato” milionário do Banco Master com a mulher do ministro do STF.
“Moraes teve papel importante na manutenção da democracia, general preso, e presidente preso por golpe, articulavam minha morte, a do Alckmin. Ninguém defende o contrato que ele (Moraes) fez com o Master, estamos defendendo que quem vai para Suprema Corte não pode querer ser rico”, acrescentou Lula.
Ele disse ainda que o STF precisa ter seriedade e ética e que tudo parece estar “apodrecendo” na Corte.
