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Lula diz que Trump vai praticar “pirataria” se os Estados Unidos tomarem o controle do Estreito de Ormuz e cobrarem taxa de 20% sobre cargas

Lula disse ainda que o “preço da guerra” já está afetando os alimentos no Brasil. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “pirataria” a cobrança de uma taxa de 20% pelos Estados Unidos para proteger navios no Estreito de Ormuz anunciada pelo presidente Donald Trump nessa segunda-feira (13).

“Isso antigamente chamava-se pirataria. Um Estado importante como os Estados Unidos, que eu acho que durante muito tempo combateu a pirataria, não pode agora virar pirata”, afirmou em visita a laboratórios no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP).

Trump não deixou claro como a cobrança seria imposta. Legalmente, passagens marítimas naturais, como o Estreito de Ormuz, não são alvo de pedágios. A cobrança se aplica, no entanto, a passagens feitas com auxílio de engenharia, como os canais do Panamá e de Suez.

Lula disse ainda que o “preço da guerra” já está afetando os alimentos no Brasil. “O preço da guerra está chegando no preço do feijão aqui no Brasil. Está chegando no preço do arroz, está chegando no preço do tomate, no preço da cebola, porque tornou o combustível mais caro.”

O presidente ressaltou que o combustível só “não está mais caro no Brasil” porque o governo instituiu a alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo para proteger o mercado interno.

“Isso que está acontecendo aqui é um estímulo, porque o Brasil não precisa morrer por conta do petróleo. O petróleo é importante para nós. Nós vamos continuar pesquisando. Nós vamos continuar usando. Mas, ao longo do tempo, a gente vai preparando o Brasil e a humanidade de que a gente pode viver sem combustível fóssil”, afirmou.

A declaração de Trump ocorre em meio à intensificação dos confrontos na região, considerada um dos corredores marítimos mais estratégicos para o comércio global.

No mês passado, o Secretário de Estado Marco Rubio disse: “É uma via navegável internacional”, referindo-se ao estreito. “Nenhum país tem permissão para cobrar pedágios ou taxas em uma via navegável internacional. Isso faz parte do direito internacional vigente.”

Mais cedo, o Irã informou que deixará de cumprir o memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos caso Washington não honre o compromisso de trabalhar pelo fim da guerra entre os dois países.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) informou ter realizado uma série de ataques contra dezenas de alvos iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, radares, equipamentos de mísseis e drones, além de pequenas embarcações utilizadas pela Guarda Revolucionária.

Em comunicado, os militares americanos reforçaram que o Estreito de Ormuz é uma rota essencial para a economia mundial e rejeitaram as reivindicações iranianas sobre a região.

“O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo vital para o comércio global. O Irã não o controla”, afirmou o Centcom.

A declaração foi contestada pela Guarda Revolucionária do Irã, principal força militar do país e responsável pelo arsenal de mísseis balísticos. Em nota, a corporação classificou a presença americana na região como ilegal.

“O Estreito de Ormuz é nosso território e não permitiremos que um exército rebelde e assassino de crianças do outro lado do mundo continue sua interferência ilegal nele”, declarou.

A União Europeia também se manifestou. A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, defendeu a reabertura da hidrovia e o respeito à liberdade de navegação.

“O Estreito de Ormuz precisa ser aberto, e a liberdade de navegação precisa ser respeitada”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da agência de notícias AFP.

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