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“A hora que chegar na minha mesa, eu vetarei”, diz Lula sobre projeto de lei que diminui as penas de prisão aos golpistas

Presidente tem até fevereiro para enviar ao Congresso sua decisão. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nessa quinta-feira (18) que vai vetar o projeto de lei da Dosimetria, que reduz penas de condenados pela trama golpista e beneficiaria inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto foi aprovado pelo Senado na véspera em mais uma derrota para o governo no Congresso.

“Se houve acordo com o governo, eu não fui informado. Se o presidente não foi informado, não houve acordo”, disse Lula. O presidente defendeu punição para os envolvidos na trama golpista e disse que é preciso esperar o fim da ação penal.

“As pessoas que cometeram crime contra a democracia brasileira terão de pagar pelos atos cometidos contra o país. (…) Com todo o respeito que eu tenho pelo Congresso Nacional, quando chegar na minha mesa, eu vetarei. Isso não é segredo para ninguém. Ainda não chegamos no fim do processo, precisamos saber quem são os financiadores”, afirmou Lula.

No Senado, o projeto foi aprovado por 48 votos a 25. O texto altera as regras da dosimetria das penas, ou seja, do cômputo do tempo de prisão e progressão de regime para os condenados.

Lula tem um prazo de 15 dias úteis para sancionar ou vetar o projeto, mas como o recesso parlamentar começa na semana que vem, isso dá ao presidente até fevereiro para vetar a proposta. Em seguida, o Senado vai deliberar sobre o veto. Para derrubar o veto de Lula, é necessária a maioria absoluta dos senadores, ou seja, pelo menos 41 votos.

“O Congresso tem o direito de fazer as coisas, eu tenho o direito de vetar e eles podem derrubar o meu veto. É assim que funciona o jogo”, ressaltou Lula.

Na quarta (17), o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que fez um acordo de procedimento para permitir o avanço da tramitação do PL da Dosimetria, assumindo pessoalmente a responsabilidade pela articulação, após a ministra negar publicamente a existência de qualquer negociação envolvendo o projeto.

Em troca, buscou apoio para acelerar a tramitação de um projeto de interesse da equipe econômica que corta incentivos fiscais e eleva a tributação de bets, fintechs e juros sobre capital próprio, que também foi aprovado pelo Senado.

Após o projeto da Dosimetria ser aprovado pelo Senado, a ministra das Relações Instittucionais, Gleisi Hoffmann, criticou a atuação de Wagner. Ela anunciou também que Lula irá vetar a iniciativa. Em resposta, o senador indicou que a ministra faz “um debate raso e superficial”.

“A redução das penas de Jair Bolsonaro e demais golpistas, aprovada agora à noite no Senado, é um desrespeito à decisão do STF e um grave retrocesso na legislação que protege a democracia. A condução desse tema pela liderança do governo no Senado na CCJ foi um erro lamentável, contrariando a orientação do governo que desde o início foi contrária à proposta. O presidente Lula vetará esse projeto. Condenados por atentar contra a democracia têm de pagar por seus crimes”, disse nas redes sociais.

Wagner reclamou que a divergência foi tratada pelas redes: “Lamentável é nos rendermos ao debate raso e superficial. É despachar divergências de governo por rede social”.

Com a aprovação, o PT e o PSB entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a medida seja derrubada.

O que diz o projeto

O projeto restringe os efeitos da redução de pena aos crimes cometidos no contexto dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Com esse recorte, tentou-se afastar o risco de que a proposta beneficie condenados por outros delitos, como coação no curso do processo e favorecimento à prostituição. Essa era uma das principais críticas ao projeto quando da sua aprovação pela Câmara dos Deputados.

O texto beneficia Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses. Atualmente, o ex-presidente teria de cumprir 5 anos e 11 meses em regime fechado. Com o novo cálculo, seria aplicada uma absorção das penas de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Com isso e a regra mais generosa para a progressão de pena, Bolsonaro só passaria 3 anos e 3 meses em regime fechado. Isso permitiria a saída do ex-presidente da prisão, no máximo, no início de 2029. A redução pode ser ainda maior, chegando a 2 anos e 3 meses, a depender da interpretação da norma.

A Lei de Execuções Penais prevê a progressão de regime para réus primários que cometeram crime “sem violência à pessoa ou grave ameaça” a partir do cumprimento de 16% da pena. Quando há atos violentos, esse porcentual aumenta para 25%. É o caso dos crimes nos quais Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão. O projeto permite o benefício dos 16% para o ex-presidente e os condenados pelos atos do 8 de Janeiro.

(Com O Globo)

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