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Lula ou Flávio Bolsonaro: o que o mercado financeiro espera para as contas públicas após a eleição

O presidente Lula e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno. (Foto: Reprodução)

O próximo presidente do Brasil vai enfrentar desafios crescentes de política fiscal, em meio a custos elevados de empréstimos e aumento do endividamento do governo e das famílias, segundo relatório da Moody’s. A agência de classificação de risco avalia que a disputa eleitoral tende a ser apertada, com implicações relevantes para a confiança dos investidores, o desempenho fiscal e macroeconômico e o perfil de crédito de diversos setores.

Na visão da Moody’s, o próximo governo herdará uma posição fiscal mais fraca, sem trajetória clara de estabilização da dívida pública no horizonte previsível. O Brasil, destaca o relatório, tem um dos maiores níveis de endividamento soberano entre as principais economias da América Latina.

A Moody’s afirma que um plano de consolidação fiscal de médio prazo ajudaria a restaurar a credibilidade do governo. Em uma reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenderia a manter o arcabouço fiscal, buscando melhorar as contas com crescimento, medidas de receita e maior eficiência do gasto.

Já sob Flávio Bolsonaro (PL), a agência avalia que haveria maior probabilidade de cortes significativos de despesas e intensificação dos esforços para reduzir a dívida. A Moody’s ressalta, porém, que os detalhes de implementação são indefinidos e que formar consenso no Congresso será um desafio.

Margem para mudanças

Segundo o relatório, mais de 90% do Orçamento federal é predeterminado por exigências legais, o que limita a margem para mudanças. Reformas relevantes, diz a agência, dependeriam de aprovação do Legislativo.

A Moody’s também aponta que a fragilidade financeira de empresas brasileiras amplia os riscos de crédito em um cenário de financiamento mais caro. Os mercados devem seguir acessíveis, em geral, para companhias com grau de investimento, exportadoras e empresas de infraestrutura regulada.

A agência afirma que empresas com grande parcela de dívida a taxas flutuantes e fluxo de caixa livre negativo tendem a ser as mais afetadas. Juros altos, custo do crédito maior e atividade mais fraca devem pressionar a qualidade dos ativos e a rentabilidade dos bancos.

Perspectivas de crédito

O relatório ressalta ainda que as políticas do próximo governo sobre governança, instituições e o papel do Estado na economia devem orientar as perspectivas de crédito, crescimento e investimentos. A intervenção estatal pode representar risco para setores regulados e estatais, segundo a Moody’s.

Com a expansão de programas públicos de crédito, a agência avalia que bancos públicos devem sustentar o crescimento das concessões mesmo com piora das condições operacionais. Uma eventual mudança de governo, por outro lado, poderia reduzir a disposição dessas instituições para emprestar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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