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Lula ou Flávio: quais setores podem ganhar na Bolsa em cada cenário? Entenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). (Foto: Divulgação)

Ações de exportadoras, construtoras voltadas para classe C e empresas com pouco endividamento aparecem entre as preferências dos bancos para a Bolsa em um cenário de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), o destaque vai para varejistas, construtoras de médio e alto padrão e companhias ligadas ao mercado de capitais. A diferença está nas expectativas para juros, câmbio e política econômica.

No BTG Pactual, a equipe de analistas liderada por Carlos Sequeira aponta a trajetória dos gastos públicos como determinante para o desempenho das ações. “Se a consolidação fiscal se concretizar, os juros de longo prazo devem cair e as ações long duration (cujo valor depende muito de lucros e fluxos de caixa esperados para um futuro mais distante) devem performar bem.”

Nos relatórios, a capacidade do próximo governo de executar o ajuste das contas públicas e negociar com o Congresso são colocados como condição para sustentar uma melhora do mercado. As preferências setoriais refletem essas expectativas, sem assegurar ganhos com determinado vencedor.

– Com Lula, exportadoras e construção de baixa renda: No cenário de uma eventual reeleição de Lula, o Citi indica empresas com balanços fortes e poder de precificação e vê oportunidades em negócios expostos a programas governamentais, como o Minha Casa, Minha Vida. Nesse segmento, destaca a construtora Cury.

O BTG segue uma linha semelhante. “Caso o presidente Lula seja reeleito, exportadoras, construtoras de baixa renda, seguradoras, pagadoras de altos dividendos e empresas com baixa alavancagem devem performar melhor”, afirmam os analistas.

Na construção voltada para o público de renda mais baixa, o banco destaca Cury e Direcional. Entre as exportadoras, aparecem Embraer e Gerdau. A seleção também contempla Caixa Seguridade e TIM.

A exposição ao câmbio é uma das razões para a preferência por exportadoras. Na avaliação do BTG, uma eventual continuidade da deterioração fiscal pode enfraquecer o real, favorecendo relativamente negócios ligados à moeda americana.

– Com Flávio, varejo e empresas sensíveis aos juros: Para uma vitória de Flávio Bolsonaro, o Citi aponta negócios cíclicos, empresas mais sensíveis à queda dos juros de longo prazo e, seletivamente, companhias alavancadas.

O BTG também destaca varejistas, construtoras de médio e alto padrão e empresas ligadas ao mercado de capitais, como C&A, Assaí, Cyrela e B3.

A expectativa é que uma eventual vitória de Flávio leve os investidores a antecipar medidas mais decisivas para enfrentar os desequilíbrios das contas públicas, abrindo espaço para uma redução dos juros de longo prazo.

Nesse ambiente, o BTG vê oportunidades inclusive em empresas mais endividadas. “Mesmo dentro de setores mais defensivos, como serviços básicos e concessões, seria possível substituir nomes menos alavancados por outros mais alavancados.”

Entre os destaques estão Equatorial, Ecorodovias e Localiza. A tese, porém, depende da confirmação das expectativas fiscais: a vitória eleitoral, sozinha, não assegura a queda dos juros.

– Juros e câmbio orientam o posicionamento: Na XP, a equipe encabeçada pelo estrategista-chefe Fernando Ferreira organiza as oportunidades por condições econômicas.

“Nossa cesta de Política Alternativa reúne nomes que podem se beneficiar de uma mudança para políticas mais favoráveis aos negócios”, escrevem os analistas.

Nesse cenário, a corretora destaca empresas estatais e reguladas, como Petrobras, que podem se beneficiar de uma redução dos prêmios de risco, e negócios sensíveis aos juros, como B3 e Localiza, condicionando a tese a uma sinalização fiscal mais crível.

Em um ambiente de deterioração das contas públicas, real mais fraco e juros longos em alta, a XP aponta exportadoras e empresas expostas ao câmbio, como Gerdau e Suzano, além de companhias de alta qualidade e baixa alavancagem.

Esses grupos são definidos por cenários econômicos, sem uma associação automática a cada candidato. As decisões do próximo governo serão fundamentais para determinar qual estratégia encontrará condições mais favoráveis.

– O teste virá depois das urnas: No Goldman Sachs, o economista Alberto Ramos destaca, em relatório de 29 de setembro, que qualquer vencedor precisará construir apoio em um Congresso fragmentado para executar sua agenda. “O verdadeiro veredicto virá depois da votação — quando as promessas e a estratégia fiscal encontrarem a realidade política.”

O Citi também recomenda cautela com a expectativa de alívio rápido nos juros. O banco passou a prever uma pausa nos cortes da Selic em 13,75%, com retomada apenas no segundo semestre de 2027, condicionada ao fortalecimento dos fundamentos fiscais. As informações são do portal de notícias UOL.

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