Faltando menos de uma semana para o segundo turno das eleições que decidirão seu futuro no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou na tarde dessa segunda-feira (19) em Porto Alegre para um ato no Centro Histórico da Capital. Acompanhado de aliados políticos, militantes e milhares de apoiadores, o candidato à reeleição percorreu a Avenida Borges de Medeiros em cima de um carro de som, do qual estendeu a mão ao público presente em diferentes trechos do percurso.
Iniciada em concentração no Largo dos Açorianos, a mobilização seguiu até o Mercado Público, marcada por bandeiras e cartazes carregados por pessoas de diferentes faixas etárias. Além das tradicionais roupas e acessórios vermelhos utilizados por apoiadores do petista, camisetas da seleção brasileira, bandeiras do Brasil e outros itens em verde e amarelo também pintavam a multidão.
Em discurso aos presentes, Lula destacou sua relação pessoal com os gaúchos, lamentando o avanço da direita no Rio Grande do Sul. Segundo ele, o estado era apontado como o “mais progressista” do país quando o visitou pela primeira vez, em 1975. O presidente lembrou o papel dos gaúchos na resistência à ditadura militar e disse que o estado não pode ter predominância da direita. Durante parte do trajeto, ele esteve acompanhado dos ex-governadores do Estado, Olívio Dutra (PT) e Tarso Genro (PT), entre outros companheiros políticos.
Durante coletiva que antecedeu o ato, Lula anunciou que levará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (20), um documento autorizando a abertura dos sigilos bancário e telefônico dele e dos cinco filhos. O presidente desafiou Flávio Bolsonaro (PL) a fazer o mesmo, proposta que já havia feito no debate da TV Bandeirantes, no domingo (18), sem que o senador tenha dito se aceita. Em tom duro, voltou a acusar o adversário de corrupção e questionou a origem do dinheiro usado por ele na compra de uma casa de R$ 10 milhões, valor apontado pelo próprio Lula. O petista disse ainda que esta é sua última disputa e atribuiu a inclusão dos filhos às acusações que, segundo ele, a família enfrenta a cada eleição.
Ainda durante a conversa com a imprensa, o petista disse ter enviado ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte público gratuito nas cidades que já oferecem o serviço. Segundo ele, o custeio viria de parte das emendas parlamentares dos senadores.
A pedido do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o trânsito no Centro foi alterado para o ato. No início da tarde, a Avenida Borges de Medeiros já estava interditada nos dois sentidos, a partir da Loureiro da Silva. Durante a manifestação, as ruas transversais até a Salgado Filho também foram fechadas, e a faixa exclusiva da Avenida Mauá passou a ser liberada aos demais veículos a partir das 16h.
Em Porto Alegre, Lula obteve 48,57% dos votos válidos no primeiro turno (377.252) contra 41,86% (325.139) de Flávio, formando vantagem de pouco mais de 52 mil votos na capital. Em sua segunda passagem pela capital gaúcha durante a campanha presidencial, o petista disse ter visitado a cidade para ampliar a votação e derrotar o adversário no dia 25.
