O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu, nesta segunda-feira, que a presidenta Dilma Rousseff dificilmente voltará ao Palácio do Planalto caso o Senado aprove a abertura do processo de impeachment na Casa. Essa avaliação foi feita durante reunião com o presidente do PT, Rui Falcão, e representantes de movimentos de esquerda.
É necessária a maioria simples para que o processo de impeachment tenha prosseguimento no Senado. Essa votação deverá ocorrer no início de maio. Em um prazo de até 180 dias depois, os senadores têm que decidir sobre o mérito do pedido de impeachment, cuja aprovação requer dois terços da Casa.
Nesse interregno, Dilma fica afastada do cargo, que passa às mãos do vice-presidente Michel Temer. Em reunião realizada no Instituto Lula, o ex-presidente admitiu a dificuldade de a chefe do Executivo reassumir a Presidência depois que Temer ocupe a cadeira e conquiste o poder de negociação com os senadores. Lula também avaliou como remotas as chances de impedir o prosseguimento do processo no Senado. Rouco e visivelmente cansado, Lula ouviu a opinião dos participantes do encontro.
A reunião teve a participação de Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Gilmar Mauro, líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, do presidente do PT e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, além de presidentes de sindicatos e diretores do Instituto Lula.
“Colocamos a necessidade de construir uma mobilização de forma sistemática contra o golpe”, relata Boulos, segundo quem “Lula mais ouviu do que falou” durante as mais de quatro horas de reunião.
“Foi uma conversa para fazer um balanço do que aconteceu ontem e pensar no que vamos fazer”, afirmou Rui Falcão, na saída do encontro.
Na reunião, a proposta de antecipação das eleições foi alvo de discussão. A maioria dos participantes lançou dúvidas sobre sua viabilidade.
Na manhã desta terça-feira, Lula participará de encontro do diretório nacional do PT para avaliação do cenário. No dia seguinte, ele prestigiará o ato das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Também na quarta, o Supremo Tribunal Federal deverá decidir se ele pode assumir a chefia da Casa Civil do governo Dilma.
(Folhapress)
