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Lula conquista virada histórica em disputa presidencial e se reelege para 4º mandato

A vitória amplia o período de poder do Partido dos Trabalhadores desde a redemocratização.(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato na Presidência da República, ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com 99,78% das urnas apuradas, Lula tinha 51,76% dos votos válidos, o equivalente a 64.086.543 votos, contra 48,24% de Flávio, que somava 59.731.922 votos. O resultado representa a primeira virada em uma eleição presidencial brasileira entre o primeiro e o segundo turno.

A vitória amplia o período de poder do Partido dos Trabalhadores desde a redemocratização. Esta é a sexta eleição presidencial vencida pela sigla desde o fim da ditadura militar e a retomada das eleições diretas para presidente. O PT perdeu a disputa para Fernando Collor, em 1989, para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, e para Jair Bolsonaro, em 2018.

Aos 80 anos, Lula ampliará sua marca como o presidente mais velho a tomar posse no Brasil. Ele completará 81 anos na terça-feira (27). Com o novo mandato, chegará a 16 anos na Presidência, somando os dois períodos consecutivos entre 2003 e 2010 e os mandatos iniciados em 2023 e 2027. Getúlio Vargas permaneceu no cargo por cerca de 18 anos e meio, mas grande parte desse período ocorreu durante o Estado Novo.

Desafios do mandato

O presidente reeleito terá de enfrentar a deterioração das contas públicas e a trajetória da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Integrantes da campanha responsáveis pela área econômica já reconheceram a necessidade de conter despesas para evitar o agravamento do quadro fiscal nos próximos anos.

Outro desafio será governar um País politicamente dividido e com um Congresso de perfil mais hostil ao Executivo. O fortalecimento da direita bolsonarista e a redução do espaço do centro liberal e do Centrão podem dificultar a aprovação de propostas do governo.

A relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) também deverá entrar na agenda política. A crise envolvendo a Corte e as pressões por processos de impeachment de ministros, especialmente Alexandre de Moraes, representam mais um ponto de tensão. No terceiro mandato, Lula contou com decisões do Supremo em momentos importantes para a governabilidade. Agora, precisará administrar as relações entre os Poderes para avançar em sua agenda.

O terceiro mandato

Lula iniciou o terceiro governo em janeiro de 2023 sob o impacto dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 daquele mês. A reação institucional ao episódio e a articulação de uma frente ampla contribuíram para fortalecer o presidente no início do mandato.

Antes da posse, o petista negociou com o Congresso a aprovação de uma emenda constitucional que permitiu acomodar despesas prometidas na campanha, incluindo a manutenção do Bolsa Família. Já no primeiro ano de governo, conseguiu aprovar a reforma tributária sobre o consumo e o novo arcabouço fiscal, apresentado pela equipe econômica liderada pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

A gestão também instituiu a tributação de fundos exclusivos e de investimentos no exterior, conhecidos como offshores, como parte da estratégia de ampliar a arrecadação e reduzir distorções tributárias.

A campanha do segundo turno

A campanha de Lula começou oficialmente em São Bernardo do Campo, no estádio da Vila Euclides, símbolo das greves operárias do ABC paulista nos anos 1970. A escolha buscou associar a candidatura à trajetória política do presidente e à defesa de seu legado.

No primeiro turno, porém, Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro, resultado que levou a equipe petista a rever a estratégia. O presidente chegou a classificar aquela como a campanha “menos organizada” de que havia participado desde 1989.

O presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, perdeu espaço nas decisões, enquanto o governador do Piauí, Rafael Fonteles, o senador Camilo Santana e o senador eleito Rui Costa ganharam protagonismo. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também participaram das discussões estratégicas.

No segundo turno, a campanha intensificou a atuação nas redes sociais, com participação do deputado André Janones, e mobilizou apoiadores em manifestações pelo País. A estratégia buscou reduzir a diferença para Flávio e reverter o resultado do primeiro turno, quando o candidato do PL havia terminado numericamente à frente.

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