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Lula se enrola, Dilma começa a respirar melhor, mas um depende do outro

(Foto: Banco de Dados)

Sempre pode mudar, mas, neste momento, os rumos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff apontam em direções opostas. Ele entrou no alvo e afunda em suspeitas; Ela parece sair da fase mais aguda da crise – apesar de tudo… O PT e Dilma têm comido o pão que o diabo amassou e eles próprios assaram em fogo alto. A sigla queima sua imagem em mensalões e petrolões e a mandatária torra definitivamente a imagem de “gerentona” com o não crescimento, a inflação e os juros escorchantes e o desemprego aumentando. Lula era coadjuvante da crise, até como alvo das manifestações. Agora, passou a protagonista.

Primeiro, a informação de que o já famoso delator Paulo Roberto Costa voou a Brasília especificamente para papear com o então presidente, no Palácio do Planalto, em um encontro listado pela própria Petrobras entre as “viagens Pasadena [EUA]”. E a dias da formalização desse mico de grandes proporções. Depois, a descoberta de que a Camargo Corrêa, envolvida até a tampa na Operação Lava-Jato, despejou 3 milhões de reais no Instituto Lula, sem falar outros trocados doados simultaneamente ao partido.

A isso somem-se as viagens de Lula a bordo de jatos de grandes empreiteiras. Aliás, não o ajuda em nada o Itamaraty produzir um memorando interno para driblar a lei da transparência e impedir a divulgação de documentos que, oficialmente, já são de domínio público. Quanto mais o ex-presidente se enrola, mais a chefe do Executivo começa a respirar melhor. Recupera a autoestima, pedala pelas redondezas do Alvorada e até dá-se ao luxo de comparecer à abertura do congresso do PT, discursar quase uma hora e… não ser vaiada.

O equilíbrio entre Lula e Dilma, porém, não é exatamente assim: um sobe, o outro cai. Um depende visceralmente do outro, tanto quanto o PT depende de ambos. Ou, repetindo José Dirceu, estão todos “no mesmo saco”. Com um detalhe interessante: por mais que a sigla fique esbravejando contra o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o partido precisa dele quase tanto quanto de Dilma e de Lula. Se o ajuste fiscal der certo e a economia aprumar, o horizonte petista em 2018 é um. Se não, é outro, mais sombrio para a legenda, para a presidenta e para o ex-presidente. O PT está nas mãos de Levy. Quem diria…

Eliane Cantanhêde/AE

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