Na sede de seu instituto, na capital paulista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava reunido, por volta das 12h30 desta quinta-feira (5), com a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-deputado José Genoino, além de outros aliados.
O advogado José Roberto Teixeira, compadre de Lula e um dos integrantes de sua defesa, que também estava no local, saiu da sede do Instituto sem falar com a imprensa.
A defesa de Lula divulgou uma nota na qual considera a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) da véspera de negar o habeas corpus de Lula como violação à “dignidade da pessoa humana”. Os advogados prometem recorrer a outras medidas para evitar que Lula seja preso após condenação em segunda instância.
Partidos dizem que decisão atendeu a interesses da Globo
PT, PCdoB e Psol condenaram a decisão do Supremo Tribunal Federal que negou o habeas corpus preventivo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julgamento que terminou na madrugada desta quinta-feira (5). Para o PT, a Constituição foi “rasgada” pela Corte que deveria defendê-la. O PCdoB diz que o Supremo ficou “à merce de forças políticas reacionárias”, e o Psol chamou a decisão de “escárnio”.
“Ao negar a Lula um direito que é de todo cidadão, o de defender-se em liberdade até a última instância, a maioria do STF ajoelhou-se ante a pressão escandalosamente orquestrada pela Rede Globo”, diz trecho da nota emitida pelo PT. O direito fundamental da presunção de inocência que foi negado ao ex-presidente “voltará a valer para todos”.
Diz ainda a nota: “Hoje é um dia trágico para a democracia e para o Brasil. Nossa Constituição foi rasgada por quem deveria defendê-la e a maioria do Supremo Tribunal Federal sancionou mais uma violência contra o maior líder popular do País, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”
A nota diz ainda que não houve justiça na decisão e que “há uma combinação de interesses políticos e econômicos, contra o País e sua soberania, contra o processo democrático, contra o povo brasileiro”. O texto diz ainda que tanto a Nação como a comunidade internacional “sabem que Lula foi condenado sem provas, num processo ilegal em que juízes notoriamente parciais não conseguiram sequer caracterizar a ocorrência de um crime”.
O PCdoB afirmou que outro ato arbitrário foi cometido pela Corte Suprema brasileira, quando, em 1936, foi negado habeas corpus à militante comunista de origem judaica, membra do Partido Social-Democrata Alemão (PSD), Olga Benário, que acabou extraditada para a Alemanha nazista e morta, em 1942, no campo de extermínio de Bernburg, em uma câmara de gás.
O Psol ressaltou pressão “sem paralelo” sobre os ministros do Supremo para que recusassem o habeas corpus de Lula, e lembrou as declarações do comandante do Exército, general Villas Boas, também apontando para a condenação.
