Lula venceu o segundo turno presidencial de domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O resultado assegurou ao petista sua quarta vitória em uma eleição para a Presidência, depois das conquistas de 2002, 2006 e 2022.
Flávio, que terminou o primeiro turno na liderança, anunciou que pedirá a anulação do pleito. O questionamento envolve a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de estender a votação até as 19h, diante de dificuldades no transporte de eleitores. A prorrogação alcançou as seções que ainda estavam abertas; urnas encerradas não foram reabertas. A campanha de Flávio também havia solicitado a ampliação do horário em determinadas localidades.
A controvérsia exige esclarecimentos e exame pelas instituições competentes. Questionamentos devem ser apresentados com fundamentos e provas, assegurado o direito de defesa. Ao mesmo tempo, a divergência não pode alimentar uma crise permanente nem servir de pretexto para desrespeitar a vontade popular. Transparência e segurança jurídica interessam a todos.
A campanha foi marcada por ataques e pelo reaparecimento de antigas feridas políticas. Em muitos momentos, as acusações ocuparam o espaço que deveria ter sido dedicado a propostas concretas. Encerrada a votação, o País precisa transformar promessas em providências e substituir a hostilidade pelo debate responsável.
Não cabe condenar o povo por suas escolhas. O eleitor é livre para decidir conforme suas convicções e necessidades. Cabe aos eleitos compreender que o mandato pertence à sociedade e que a vitória impõe obrigações maiores do que a celebração de uma conquista partidária.
Lula terá de enfrentar o desequilíbrio fiscal, preservar o poder de compra, melhorar a Saúde e a Educação e combater a violência. O desenvolvimento depende de investimentos, produtividade, empregos e uso responsável dos recursos públicos. A população espera serviços que funcionem e oportunidades que cheguem a quem mais precisa.
O Brasil também necessita de uma oposição forte, vigilante e determinada. Fiscalizar despesas, denunciar irregularidades, cobrar resultados e apresentar alternativas são deveres democráticos. A firmeza da oposição deve conviver com a disposição de apoiar medidas úteis ao País.
Senadores, deputados e governadores precisam honrar os compromissos assumidos. Aos Três Poderes cabe respeitar suas competências, exercer os controles previstos e manter uma relação institucional pautada pela Constituição. Independência e harmonia exigem responsabilidade de todos.
As eleições terminaram, mas os problemas continuam. Governo e oposição devem trabalhar, cada qual em seu papel, pelo desenvolvimento social, humano e econômico. O Brasil precisa reduzir desigualdades e conquistar maior respeito entre as nações. A hora é agora.
* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, dirigente da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)
