Flávio Bolsonaro (PL) talvez tenha de esperar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para devolver o próprio pai à liberdade. Ministros “lulistas” apostam no enfrentamento. Eles juram a interlocutores que se Flávio for eleito e indultar Jair Bolsonaro, isso seria rejeitado pela Corte. A alegação é a “jurisprudência”: o STF anulou o perdão a Daniel Silveira, apesar de a Constituição conferir ao presidente a prerrogativa de concedê-lo, e reiterou isso no caso do 8 de Janeiro.
Zero acordo
A disposição de afrontar o eventual presidente Flávio Bolsonaro desfaz a impressão de tentativa de “acordão político” que circulou ontem.
Raiva no coração
Ao ameaçarem eventual indulto ou graça presidencial a Bolsonaro, os lulistas do STF sobem nas tamancas, excitados, relata uma das fontes.
Já foi dito
Quando não se ousava contestar Alexandre de Moraes, outros ministros que achavam imperdoáveis supostos crimes do 8/Jan mudaram de ideia.
No passado
Para Moraes não há anistia em “crime contra o Estado Democrático de Direito”, mas ministros já avaliam que essa acusação não se sustenta.
Candidatos gastam entre R$0,01 e R$63,70 por voto
Pelos números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até agora, é possível desenhar um raio-x de quanto “custou” cada voto que os candidatos receberam. Quanto mais nanico, maior o gasto pelo voto de meia dúzia de eleitores. O voto mais caro é o recebido pelo veterinário Wilson Grassi (Democrata), que precisou torrar R$63,70 em cada um dos 16.881 votos. Na outra ponta está Rui Costa Pimenta (PCO), com um custo de voto de pouco mais de R$0,01 por cada um dos 15.024 votos.
Centavos
Outro voto na lista dos menos custosos é de Augusto Cury (Avante), R$0,15. Depois, os votos de Renan Santos (Missão), R$0,48.
Lula x Flávio
O custo unitário do voto em Flávio Bolsonaro (PL) e Edmilson Costa (PCB) é o mesmo: R$1,17. Lula (PT) na sequência, com R$1,21.
Subindo a régua
Cada voto em Samara (UP) custou R$5,30 à campanha. Em Ronaldo Caiado (PSD), R$8,44. Para Romeu Zema (Novo), R$16,26.
Não é bem assim
Certamente foram gestos pós-eleitorais, mas juristas acham quase cosméticas as decisões de Alexandre de Moraes sobre Débora do Batom, reduzindo em duzentos dias a pena cruel e desproporcional de 14 anos, e sobre jornalistas exilados, que continuam na mira do ministro.
Estertores
Davi Alcolumbre (União-P) está desnorteado com humilhante derrota do seu candidato ao governo do Amapá. A espetacular vitória de Dr. Furlan (PSD) fez cair a ficha: ele vive os últimos dias de presidente do Senado.
PT quer trocar o povo
O líder do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Pimenta, foi certeiro ao analisar a avaliação petista sobre a derrota de Lula, no primeiro turno: “Balanço eleitoral do PT é de que é preciso trocar o povo”.
É Flávio
O apoio de Michel Temer a Flávio Bolsonaro (PL) veio antes mesmo da definição do MDB. O ex-presidente não esperou o partido deliberar e já declarou que estaria ao lado do senador na disputa pela Presidência.
Bronze em casa
Bem avaliado em Goiás, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) ficou em terceiro entre eleitores goianos, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), com 53,6%, até Lula, 31,06%. Caiado somou 12,33%.
Palavra do TSE
O TSE apelou para diversas postagens nas redes sociais para explicar que não houve fraude na pausa na divulgação dos resultados que espantou a todos. “Não tem relação com o processo de totalização”, diz.
Novos amigos…
Apesar do apoio declarado e mãos dadas no palanque no Goiás, apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) não esquecem das postagens do perfil de Ronaldo Caiado, nos dias antes da eleição, chamando o candidato do PL de mentiroso, com imagem do senador como pinóquio.
Espeto de pau
Romeu Zema (Novo) perdeu em casa. O ex-governador de Minas Gerais terminou em sexto no estado, com 0,82% dos votos. Perdeu para Flávio Bolsonaro (PL), 48,24%; Lula (PT), 43,33%; Augusto Cury (Avante), 3,42%, Renan Santos (Missão), 2,06%; e Ronaldo Caiado (PSD), 1,92%.
Pensando bem…
…pior do que custo por voto é o custo por candidato.
PODER SEM PUDOR
Santiago, o mendigo
O célebre Santiago Dantas era candidato ao governo mineiro e, como tal, ganhou a estrada. Segundo a lenda, era uma presepada: no banco da frente do carro, o motorista fardado, usando quepe, e, ao lado, Hugo Coelho, especialista em Minas Gerais. No banco de trás, Santiago vestia sua roupa tipo safári, usando luvas e máscara contra poeira. Quando o carro se aproximava de alguma cidade, Coelho avisava: “Povo à vista!”. Ele se livrava da máscara e das luvas, colocava os óculos, abria o sorriso e acenava aos pobres diabos, mendigando votos.
(Com Rodrigo Vilela e Tiago Vasconcelos – Instagram: @diariodopoder)
