Alvo de processo de impeachment que poderá afastá-la do cargo a partir da segunda quinzena de maio, a presidenta Dilma Rousseff disse nessa quarta-feira que lutará para sobreviver e que está defendendo o princípio democrático que rege a vida brasileira.
Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, correspondente internacional da rede de TV norte-americana CNN, a petista ressaltou o fato de que os líderes políticos que fizeram avançar o processo contra ela são alvo de denúncias de corrupção. A entrevista, com aproximadamente 30 minutos de duração, foi exibida pela CNN nessa quinta-feira.
Perguntada se ainda acredita que conseguirá se manter na Presidência da República, Dilma frisou que a questão não envolve apenas o seu cargo.
“Mais do que pensar, eu lutarei para sobreviver, não só pelo meu mandato, mas pelo fato de eu estar defendendo o princípio democrático que rege a vida política brasileira”, argumentou. “Ninguém pode ser afastado por impopularidade, que é uma coisa cíclica. Se fosse assim, vários líderes de países europeus teriam sido retirados do cargo.”
A petista também questionou a legitimidade de seus acusadores: “Os líderes do impeachment contra mim são alvo de denúncias de corrupção, como o presidente da Câmara dos Deputados”.
Olimpíada
Dilma admitiu que ficará muito triste se for afastada do cargo antes do começo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto. “Estivemos muito engajados nisso, ajudei desde o primeiro dia no esforço para que se viabilizasse a competição, que deixará um legado”, desabafou.
Ela ressaltou o apoio do governo federal às obras de urbanização e transporte que estão sendo feitas no Rio de Janeiro. Também mencionou a introdução de novos conceitos arquitetônicos na cidade, devido ao evento. Também salientou a Copa do Mundo de 2014, sediada no País, como um exemplo capaz de confirmar as expectativas otimistas em relação aos Jogos.
Questionada sobre os escândalos de corrupção durante o seu governo, a mandatária atribuiu o problema à suposta maior transparência de sua gestão e ao fortalecimento das instituições desde que o PT assumiu o comando do País, em 2003, com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Eu creio que o Brasil precisa passar por reformas econômicas e políticas, mas a corrupção é endêmica no mundo todo”, justificou.
