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Mãe de Marielle passa mal em segundo dia de julgamento do crime

Marinete da Silva (de cabeça baixa) foi atendida em uma sala de apoio ao lado do plenário por socorristas. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

A mãe de Marielle Franco, Marinete da Silva, apresentou um mal-estar e precisou ser atendida durante a sessão do segundo dia de julgamento dos acusados de mandar matar a ex-vereadora e o motorista Anderson Gomes no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (25). Horas depois, por volta de 11h40, a filha de Marielle, Luyara Franco, também se sentiu mal e deixou o plenário de cadeira de rodas. Ela foi encaminhada ao serviço médico e retornou minutos depois.

Por volta de 10h, Marinete da Silva deixou o plenário da Primeira Turma, de onde acompanhava o julgamento, acompanhada da filha e ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Visivelmente emocionada, ela foi atendida em uma sala de apoio ao lado do plenário por socorristas. A suspeita é que tenha sido um pico de pressão. A família pediu privacidade e que não fossem feitos registros do momento de atendimento. Quase 30 minutos depois, ela retornou ao plenário onde ocorre o julgamento.

No começo da tarde, a Primeira Turma do Supremo condenou, por unanimidade, os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e João Francisco (“Chiquinho”) Brazão, ex-deputado federal, pela acusação de planejar o homicídio da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, e da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, em março de 2018.

Os ministros condenaram os irmãos Brazão e Ronald Paulo Alves Pereira pelo duplo homicídio e o homicídio tentado. Os irmãos e Robson Calixto, conhecido como Peixe, também foram condenados por organização criminosa. O quinto réu, Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado por obstrução da Justiça e corrupção passiva.

Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes considerou que ficou comprovada a motivação política para o crime, concordando com a tese da PGR de que Domingos e Chiquinho decidiram matar a vereadora para impedir que ela continuasse a prejudicar os interesses da família em práticas de grilagem de terras.

O crime seria o ápice das desavenças entre os Brazão e integrantes do PSOL iniciadas em 2008 na CPI das Milícias, comandada pelo ex-deputado Marcelo Freixo na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

“Eles não tinham só contato com a milícia. Eles eram a milícia. Eles participavam da milícia. Um como executor dos atos milicianos, [Robson] Calixto, os outros como a grande influência política, a garantia política da manutenção daqueles territórios dominados pela milícia”, disse Moraes.

Moraes apontou que o crime teve também conotação racista e misógina, em razão de Marielle ser uma mulher negra.

“Se juntou a questão política com a misoginia, com o racismo, com a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta e pobre estava, no popular, peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça, misógina, preconceituosa de mandantes e executores: ‘Quem iria ligar para isso?’ Uma cabeça de 100 anos, 50 anos atrás. ‘Vamos eliminá-la e isso não terá grande repercussão'”, afirmou o ministro.

Boa parte da acusação é baseada na colaboração premiada de Ronnie Lessa, o ex-PM que confessou ter matado Marielle e Anderson. Ele afirmou que receberia como recompensa a autorização de explorar um área na zona oeste que poderia lhe render até R$ 25 milhões.

As defesas negam as acusações e afirmam que a delação de Ronnie Lessa não foi acompanhada de provas que confirmem os relatos do ex-PM, como manda a lei. (Com informações dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo)

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