O tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros ainda não entrou, de fato, no radar dos mais jovens. Um levantamento da BTG/Nexus mostra que apenas 18% dos brasileiros de até 24 anos dizem conhecer bem e acompanhar o tema, 22% afirmam saber do que se trata e 37% reconhecem conhecer pouco o assunto. A informação é da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Outros 24% sequer tinham ouvido falar da medida — o maior índice entre todas as faixas etárias pesquisadas. Por outro lado, os maiores de 60 anos lideram o nível de informação: 33% afirmam acompanhar de perto a decisão americana, índice acima da média nacional, de 26%.
A pesquisa também indica que o desconhecimento diminui conforme a idade. Entre os brasileiros de 41 a 59 anos, 29% dizem acompanhar o assunto de perto. Já na faixa de 25 a 40 anos, predominam os que afirmam ter apenas conhecimento superficial sobre o tema: 36% dizem saber pouco sobre o tarifaço.
A Nexus entrevistou, por telefone, 2.004 pessoas. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
OMC
O governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
O Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) formalizou o chamado “pedido de consulta” na OMC, cuja sede fica em Genebra, na Suíça.
“O Brasil considera que as medidas norte-americanas são injustificadas e incompatíveis com obrigações dos EUA no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e do Entendimento Relativo às Normas e Procedimentos sobre Solução de Controvérsias da OMC”, diz nota.
Segundo comunicado do Itamaraty, o pedido de consulta se refere a duas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos que usam como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
A primeira, de 25%, tem relação com o entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais na economia contra empresários americanos.
A mais recente, de 12,5%, foi tomada com base na conclusão dos Estados Unidos de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas em locais onde há trabalho forçado.
A consulta é uma etapa anterior à eventual abertura de um painel, mecanismo de julgamento dentro da organização. No ano passado, o governo brasileiro acionou o mecanismo contra as tarifas impostas pelos EUA. Essas tarifas foram suspensas pela Suprema Corte norte-americana.
O mecanismo da OMC tem o objetivo de assegurar que os países cumpram os acordos comerciais e que medidas consideradas incompatíveis possam ser contestadas.
No entanto, integrantes da diplomacia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que recurso seria “simbólico” e para “marcar posição” diante dos Estados Unidos. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e do portal de notícias g1)
