Ícone do site Jornal O Sul

A maioria dos titulares do Conselho de Ética do Senado é contra a cassação e deverá manter o senador afastado Aécio Neves no cargo

Nas escutas, autorizadas pela Justiça, o tucano aparece disparando telefonemas para discutir o trâmite de seus casos na Justiça. (Foto: Agência Brasil)

A maioria dos titulares do Conselho de Ética do Senado deverá optar por manter o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) no cargo. PMDB, PT, PP, PSDB e DEM, com 9 dos 15 integrantes do órgão, consideram votar contra o pedido de cassação para evitar a abertura de precedentes na Casa.

Aécio foi alvo de representação por quebra de decoro parlamentar apresentada pelo PSOL e pela Rede há cerca de duas semanas, mas o pedido não foi analisado até agora porque a instalação do conselho tem sido adiada desde o início do ano. O documento é baseado na abertura de inquérito contra Aécio no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de recebimento propina e obstrução de Justiça.

A consulta aos senadores foi feita antes de a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar denúncia contra o senador ontem, mas nos bastidores os parlamentares dizem que somente a prisão do tucano poderia justificar eventual cassação.

O pedido de prisão do senador pelo procurador-geral Rodrigo Janot foi rejeitado pelo ministro Edson Fachin, do STF, que determinou o afastamento de Aécio do cargo parlamentar. Após o desmembramento do processo no Supremo, o recurso da PGR reforçando o pedido de prisão foi redistribuído para o ministro Marco Aurélio Mello, novo relator, que não tem prazo para analisá-lo.

Autor da representação contra Aécio no conselho, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) comparou a situação do tucano com a do senador cassado Delcídio Amaral (ex-PT-MS). Em 2015, o então petista chegou a ter a prisão autorizada pelo Senado por causa de uma gravação em que aparecia tentando obstruir a Justiça. “O senador [Aécio] não foi preso circunstancialmente, mas também ficou caracterizado o crime”, disse Randolfe Rodrigues.

Sair da versão mobile