Violência, fome, discriminação e desemprego. É isso que venezuelanos encontram quando cruzam a fronteira e decidem viver no Brasil. Essa é a conclusão de um levantamento conduzido pela Organização Internacional de Migrações com essa população.
A partir de 3,5 mil entrevistas, feitas entre janeiro e março, a entidade traçou um primeiro retrato das condições de vida desses estrangeiros, principalmente os que estão em Boa Vista e Pacaraima.
A pesquisa revela também que 52% dos venezuelanos não querem permanecer no Brasil e tem como “destino final desejado um outro país, sobretudo a Argentina”.
O levantamento da OIM mostra que apenas 40% dos venezuelanos receberam algum tipo de apoio institucional, principalmente em relação à alimentação. E que grande parte dessa comida foi oferecida por instituições religiosas. “Ainda assim, 37% dos entrevistados consomem menos de três refeições diárias”, indicou o documento. Quase um a cada dez venezuelanos no Brasil só come uma vez por dia.
Outro problema apontado pelos entrevistados é a discriminação. “Vinte e oito porcento das pessoas indicaram ter sofrido algum tipo de violência no Brasil”, apontou a OIM. “Destas, 81% foram atos de violência verbal, seguida por violência física (16%), e violência sexual (2%)”. E vinte porcento das pessoas entrevistadas afirmam que não se sentem seguras onde moram.
Desde o começo de 2017, ainda segundo a ONU, 52 mil venezuelanos entraram no Brasil, sendo que 40 mil deles estariam em Boa Vista, Roraima, e 25 mil pediram asilo. Nas últimas semanas, porém, cerca de 800 venezuelanos estariam cruzando diariamente a fronteira em direção ao Brasil.
Prostituição
Com dois filhos pequenos para criar e grávida do terceiro, a atendente de loja Silvia (nome fictício), de 24 anos, viajou da Venezuela para o Brasil no mês passado em busca de um emprego e de uma fonte de renda que permitisse a ela enviar dinheiro à família. Ao chegar a Boa Vista, o que encontrou foram milhares de conterrâneos desempregados e nenhuma oportunidade. Foi então que passou a fazer parte do grupo de centenas de jovens venezuelanas que, sem emprego, começaram em 2017 a se prostituir nas ruas da capital de Roraima.
As garotas de programa estrangeiras se concentram no bairro Caimbé, principalmente na Rua Leôncio Barbosa, que passou a ser chamada pelos moradores da cidade de Rua Ochenta (oitenta, em espanhol), em referência ao valor médio cobrado por uma hora de programa com as venezuelanas. Há, porém, aquelas que, por desespero, cobram de R$ 30 a R$ 50.
