O ato em apoio a Jair Bolsonaro (PL) no próximo dia 25 na Avenida Paulista, em São Paulo, será a primeira manifestação bolsonarista convocada pessoalmente pelo ex-presidente desde 8 de janeiro de 2023, quando seus apoiadores protagonizaram o ataque às sedes dos Três Poderes, em Brasília (DF).
A convocação feita por Bolsonaro, por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais, surge diante do avanço de investigações da Polícia Federal (PF) sobre sua possível participação na articulação de um golpe de Estado. Foram impostas medidas restritas contra o ex-presidente na Operação Tempus Veritatis, que cumpriu mais de 30 mandados de busca e apreensão contra aliados dele na semana passada.
No vídeo, Bolsonaro argumenta que o ato será “pacífico” e pede que seus apoiadores evitem levar faixas “contra quem quer que seja”. Em atos anteriores convocados pelo ex-presidente, era comum a exibição de faixas pedindo intervenção federal e atacando ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante os quatro anos de mandato, Bolsonaro endossou atos de apoio à gestão dele. Após o 8 de Janeiro, as manifestações em favor do ex-presidente escassearam. No ano passado, nos feriados de 7 de Setembro (Independência), 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida) e 15 de novembro (Proclamação da República) apoiadores do ex-presidente se mobilizaram. A adesão, porém, foi menor do que nos anos anteriores.
Em outubro do ano passado, em marcha contra o aborto em Belo Horizonte (MG), o próprio Bolsonaro afirmou que as participações seriam naturalmente menores depois das consequências do 8 de Janeiro. “Creio que a diminuição do número de pessoas vai pelo temor do que aconteceu no 8 de Janeiro. Agora, lá eram brasileiros patriotas que foram se manifestar, entraram em uma arapuca, numa armadilha patrocinada pela esquerda. E, hoje, muitos irmãos nossos estão sendo condenados por esses atos. Reprovo, sim, a dilapidação de patrimônio público, mas não justifica a pena”, afirmou.
Esta para 25 de fevereiro é a primeira desde o 8 de Janeiro que Bolsonaro entra pessoal e abertamente na convocação.
A primeira manifestação em nível nacional da base de Bolsonaro foi em maio de 2019, quando a principal pauta das passeatas já foi o relacionamento do então mandatário com os Poderes Judiciário e Legislativo.
Entre 2019 e 2022, a convocação de atos pró-governo não foi interrompida nem mesmo durante a pandemia de covid-19, quando vigoravam medidas para restringir a circulação de pessoas em locais públicos para evitar a contaminação pelo coronavírus. Foi o caso de um protesto em Brasília em abril de 2020. Na ocasião, o então chefe do Executivo marcou presença em ato no qual manifestantes empunhavam faixas e cartazes com motes antidemocráticos.
O episódio levou à abertura de um inquérito no Supremo para localizar os financiadores da manifestação. Foi uma das primeiras investigações da PF a ter como alvos aliados do ex-presidente. O material coletado com essa apuração deu origem a outro inquérito, o das milícias digitais, que tramita até hoje.
Durante a gestão Bolsonaro, a data preferida para a convocação de atos pró-governo foi 7 de Setembro, quando é celebrada a Independência do País. O protesto mais crítico nesta data foi o de 2021, quando Bolsonaro conclamou, de um carro alegórico na Avenida Paulista, que “não mais cumpriria” medidas judiciais do ministro do STF Alexandre de Moraes. A declaração provocou represália entre autoridades, sobretudo do próprio Supremo, e forçou o então presidente a recuar no discurso contra a Corte. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
