Maria Rita falou da emoção de dividir o palco com o filho Antonio Baldini, de 22 anos, que estreia na percussão e no violão na turnê da mãe, “Redescobrir vol. 2”. Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, a cantora de 48 anos contou que não escute a mãe, Elis Regina, “porque dói”. leia trecho. Leia trecho:
1-Fica muito emocionada em dividir o palco agora com o seu filho, Antonio Baldini, que toca violão e percussão?
Pois, é, aquele barriga virou um músico. Fico absurdamente emocionada! Não imaginava o quanto. Tem aquela hora em que quero apertar a bochecha dele. E quando o arranjo pega fogo e vejo a cabeça dele saindo fumaça, penso: “Vou pedir pausa para ele respirar”. Mas não posso né… (risos).
2-Como lida com esse patrimônio familiar que Elis Regina com seus os filhos? Como faz para que entendam a dimensão que ela teve?
Busco falar dela o máximo possível. Colocar entendimento da responsabilidade, mas não na coisa pesada que eu um dia tive. Mas da responsabilidade do amor, do afeto, do orgulho, do legado que a gente leva. Tem que ser bom para eles também. Converso com o Antonio nesse momento em que ele não sabe o que vai ser: Digo quer ser músico, vou te dar a minha opinião, que não a verdade absoluta: você se lascou: É filho da Maria Rita, neto da Elis Regina e do César Camargo Mariano, tá fodido. Se não usar isso a seu favor, se não ficar alerta, o que tem de malandro só esperando você botar a cabeça para fora… Vão te comer vivo. Eu não vou deixar, estou do seu lado”. Então, é esse entendimento de que temos um legado, um bom legado, não é um legado de vergonha, é bonito, é o legado de uma identidade de uma nação. Falo: Cara, quando vovó morreu, parou a cidade de São Paulo, botaram em cima de um caminhão de bombeiro, só a Ayrton Senna teve igual”. É para ter orgulho, entende?
3-O fato de não ter tido mãe impactou a sua maternidade?
Muito. Eu sou sozinha, minha maternidade é puro instinto. Não sei o que é, não lembro, não tive essa.
4-Ouve sua mãe?
Não. Não ouço porque dói. É um trauma, grosseiramente falando. Uma terapeuta me disse: “Deixa eu te dizer uma coisa para você entender o que aconteceu com você: Com quatro anos de idade, sua mãe te botou para dormir e quando você acordou, ela sumiu, nunca mais apareceu e ninguém te explicou o que aconteceu. Todo mundo sumiu: sua vó, seu tio, todo mundo”. Ela identificou em mima, já aos 20 anos, o estresse pós-traumático de uma depressão infantil. E eu aqui vivendo achando que estava tudo bem, normalzinho. Ela falou: “não tem como ser normal”. Então, vai chegando num lugar… Quando fiz 36 anos, a idade que ela morreu minha cabeça deu um nó violento. Quando minha filha Alice fez quatros anos, eu falava “caraca, é muito pequenininha”.
