Em depoimento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a marqueteira Monica Moura complicou a situação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Ela contou ao relator do processo de cassação da chapa Dilma-Temer, ministro Herman Benjamin, que numa terceira reunião para definir o pagamento da campanha, acertou que parte do dinheiro destinado ao marqueteiro João Santana seria de caixa 2. E que esse valor pago por fora seria tratado diretamente por ele.
Na conversa, que segundo o relato também teve a participação do atual prefeito de Araraquara, Edinho Silva, que teria “uma parte por dentro e outra por fora”. Segundo o relato de Monica, Mantega disse na reunião que a “parte por dentro trate logo com Edinho”, então tesoureiro da campanha. “A parte por fora ele me encaminhou para conversar com a Odebrecht”, disse. Monica ressaltou que “já tinha contato lá dentro” com o pessoal da Odebrecht.
Foi nesse depoimento que Monica Moura disse que o acerto total foi de R$ 105 milhões: R$ 70 milhões pelo caixa oficial e outros R$ 35 milhões pelo caixa 2. A defesa de Guido Mantega tem negado as acusações que citam o ex-ministro da Fazenda.
Prisão
Monica e o marido, o ex-marqueteiro João Santana foram presos durante a 23ª fase da Operação Lava-Jato, em fevereiro do ano passado. De acordo com a força-tarefa, foram encontrados indícios de que Santana recebeu US$ 3 milhões de off-shores ligadas à Odebrecht, entre 2012 e 2013, e US$ 4,5 milhões do engenheiro Zwi Skornicki, entre 2013 e 2014.
Segundo a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal, o dinheiro vem de propina de contratos da Petrobras.
Em agosto de 2016, no entanto, o juiz Sérgio Moro mandou soltar Monica. Conforme decisão de Moro, ficou estipulada fiança de R$ 28,7 milhões. A fiança é uma espécie de cheque-caução para o caso de Monica descumprir as condições estabelecidas por Moro para a soltura.
