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Marqueteiro de Flávio Bolsonaro admite repulsa de mulheres ao “jeito” de Bolsonaro: “É um desafio de comunicação”

Publicitário Duda Lima diz que estilo do ex-presidente provoca resistência no eleitorado feminino e reconhece capacidade de conexão emocional de Lula. (Foto: Divulgação)

Recém-chegado à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), o marqueteiro Duda Lima reconheceu que o estilo do ex-presidente Jair Bolsonaro provoca resistência entre o eleitorado feminino e apontou a aproximação com as mulheres como um dos desafios de comunicação do campo bolsonarista nesta eleição. O publicitário afirmou que o “jeito duro de falar” do ex-presidente gera uma “certa repulsão” e avaliou que a dificuldade está mais na forma de se comunicar do que no conteúdo.

“Quando você pega alguém como Jair, que tem essa estrutura militar, motociata, essa coisa toda, esse jeito duro de falar, normalmente, mulher tem uma certa repulsão a isso. Então, é muito mais forma, muito mais jeito do que conteúdo. E esse, de fato, é um desafio de comunicação mesmo”, afirmou.

A avaliação toca em um dos pontos de atenção da campanha de Flávio. O senador tenta herdar a base eleitoral construída pelo pai sem carregar a rejeição acumulada pelo ex-presidente nos segmentos nos quais o bolsonarismo encontra maior resistência. As mulheres estão no centro dessa equação e também ajudam a explicar o peso atribuído pela campanha à participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho, as mulheres representam 52,8% das pessoas aptas a votar no país.

A preocupação com esse eleitorado não é nova no bolsonarismo. Na eleição de 2022, a campanha de Jair Bolsonaro buscou reduzir a resistência entre as mulheres, inclusive com maior exposição de Michelle na reta final da disputa. Agora, um dos desafios de Lima é construir uma identidade própria para Flávio sem abrir mão do sobrenome e do legado político que sustentam sua candidatura.

Ao fazer o diagnóstico, o marqueteiro também reconheceu uma maior capacidade do presidente Lula de estabelecer uma conexão emocional com o eleitor. Segundo ele, o petista consegue “tocar as pessoas” por sua trajetória e pela forma de se comunicar, enquanto o campo bolsonarista estabelece uma relação que classificou como “mais racional”.

“Como a gente tem um candidato como o Lula, que tem uma capacidade de lidar com o lado emocional, de tocar as pessoas pela sua história, pela sua habilidade, pelo seu treino, pela sua capacidade, ele conecta com as pessoas. O outro lado tem uma certa dificuldade em ter este tipo de conexão, tem uma conexão mais racional”, disse.

Duda Lima relacionou essa diferença ao comportamento do eleitorado feminino e afirmou que não há uma fórmula pronta para enfrentar a dificuldade. Para ele, a construção depende do formato da candidatura, da história apresentada ao eleitor e do próprio jeito de falar.

“Isso é um grande desafio, porque isso está na forma também, está no formato. No formato da candidatura, da história, do jeito de comunicar, de falar, e as pessoas acabam se identificando com isso. Então, isso é um grande desafio de comunicação para ser trabalhado. Tem fórmula para isso? Não. Isso não é fazer um vídeo com alguém fazendo coração com a mão e botar no ar. Isso é dia a dia, isso é dedo no pulso, isso é trabalho, coração na campanha, cérebro também”, afirmou.

Cenário

Ao falar sobre o cenário presidencial, Duda Lima classificou a eleição como “super apertada”. A avaliação encontra um cenário de pouca distância entre os dois líderes das pesquisas.

“Sim, é uma eleição super apertada. Eu sinto que aquela coisa, aquela polarização do pai não falar com o filho, do cunhado não entrar para sentar, eu entendi que isso já deu uma certa sentada, independente da ideologia de cada um. Mas o que eu posso perceber rodando esse país, gente, a gente não sabe entender direito o que o brasileiro quer, mas a gente sabe o que o brasileiro não quer. Isso eu consegui perceber. E, na minha leitura, a eleição está aí”, afirmou.

Na sequência, o marqueteiro sinalizou uma das linhas de contraste que enxerga para a disputa com Lula: confrontar a expectativa criada na eleição anterior com problemas enfrentados durante o atual mandato.

“Se um dos lados conseguir explicar exatamente a situação real do País, fica um pouco mais difícil para o outro lado, que vai contar uma história de esperança de novo. Eu fico imaginando aquelas pessoas que votaram na esperança, imaginando que a violência ia diminuir. Não, a violência aumentou. Então, a esperança virou medo”, disse. (Com informações do jornal O Globo)

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