Em sua delação premiada, João Santana afirmou ao MPF (Ministério Público Federal) que negociou com Delcídio do Amaral na sauna da casa do político, em Campo Grande (MS), em 2002. Delcídio à época ainda era secretário de Infraestrutura do Mato Grosso do Sul, filiado ao PT. Ele foi senador de 2003 até 2016, quando teve seu mandato cassado.
“Durante a negociação, na casa de Delcídio do Amaral, João Santana foi convidado, de forma inusitada, a conversar dentro da sauna, pois claramente Delcídio visava preservar informações quanto a valores e forma de pagamento”, diz trecho do resumo da colaboração do publicitário.
O marqueteiro relatou ao MPF que dentro da sauna disse ao candidato que sua mulher, Monica Moura, era a única pessoa que poderia discutir questões de pagamento, pois ele só cuidava das áreas criativa e estratégica.
Ainda de acordo com a versão do casal, Delcídio exigiu como condição para assinar um contrato que parte do pagamento fosse por transferência em conta no exterior, por não ter como justificar o valor para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A quantia acertada foi de 4 milhões de reais, sendo 2 milhões de reais declarados e 2 milhões de reais em uma transferência em contas no exterior, de uma offshore, localizada em paraíso fiscal, para outra na Suíça.
Segundo a delação, o pagamento foi efetuado logo após o término da campanha, em outubro ou novembro de 2002.
