A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”, registrou um boletim de ocorrência contra o chefe de gabinete do ministro da Saúde, João Lopes de Araújo Júnior por ameaça.
Segundo revelou a rádio CBN, Pinheiro afirmou que tem sido ameaçada em conversas por aplicativo e acusada injustamente de conspiração por Araújo Júnior que é funcionário do ministro Marcelo Queiroga.
Nas mensagens, apresentadas na Polícia Civil do Distrito Federal, o chefe de gabinete acusa Mayra Pinheiro de atuar, em conjunto com o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), pela demissão de Queiroga.
Nas conversas Araújo Júnior diz que ela está “cometendo um crime” e que “não tem qualquer lealdade ao ministro”. Afirma que sabe da suposta ligação da secretária com Lorenzoni e diz que conhece “todos os nomes envolvidos nessa tentativa de retirada do ministro”. Por fim, ele diz para a secretária ter cuidado e se preparar porque “vai ver a mão de Deus” sobre ela.
Segundo a reportagem, o caso foi remetido à Polícia Federal nesta semana, porque os envolvidos são vinculados ao Ministério da Saúde, cuja competência é da União.
Mayra Pinheiro é conhecida como “Capitã Cloroquina” por defender tratamentos precoces contra a covid-19 e recomendar o uso da hidroxicloroquina, sem eficácia comprovada, para tratar pessoas infectadas pelo vírus.
Em suas lives nas redes sociais e em falas a apoiadores, Bolsonaro defende continuamente o uso de cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina contra a covid-19. Questionada se recebeu ordens do presidente para falar a favor dos medicamentos, Mayra afirmou na CPI da Covid no Senado, em maio último, que não foi orientada por ele, mas defendeu a autonomia dos médicos para prescrever os tratamentos.
“Estamos diante de uma doença grave, que tem provocado colapso dos sistemas de saúde e a morte de milhões de pessoas em todo o mundo. A tomada de decisão nesse cenário de incertezas exige respeito à autonomia médica concedida pelo Conselho Federal de Medicina”, disse ela, na ocasião.
Ela também disse que o Brasil não era obrigado a seguir a orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde), que recomendava que os medicamentos não fossem utilizados para tratar a covid-19. “A OMS retirou a orientação desses medicamentos para tratamento da covid baseada em estudos que foram feitos com qualidade metodológica questionável com o uso da medicação na fase tardia da doença onde todos nós já sabemos que não há benefícios para os pacientes”, pontuou. As informações são dos jornais O Globo e Correio Braziliense.
